Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 28/08/2018
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride no momento em que um se mobiliza com o problema do outro, contudo, quando se observa os dilemas da doação de órgãos no Brasil, verifica-se que esse ideal é constatado na teoria, e não desejavelmente na prática. Desse modo, é imprescindível a análise do panorama da doação de órgãos e os seus desdobramentos, com a finalidade de buscar melhores perspectivas do bem comum.
Sob esse viés, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 43% das famílias negam doar órgãos de parentes falecidos. Nesse sentido, tal panorama reflete drasticamente na qualidade de vida de muitos indivíduos que dependem do transplante para terem uma vida produtiva, seja no mercado de trabalho, na vida social ou no lazer. Assim, percebe-se que quase a metade das famílias não são condizentes com o ideal Iluminista, principalmente pelo motivo da falta de informação, e, consequentemente, acabam não compartilhando, nesse aspecto, do altruísmo e da solidariedade que, segundo Emilé Durkheim, é fundamental para a coesão social.
Somando a isso, dados de 2004 a 2014 do portal Agência Brasil, informam que houve um crescimento de 63% do número de transplantes de órgãos. No entanto, apesar do alto crescimento, cujo as ações públicas do Governo deve ser preponderante, é necessário a garantia plena da saúde dos que carecem da doação, de forma a se alinhar com o direito a saúde no artigo 6º da Constituição Federal e, como reflexo, a aumentar os números percentuais de transplantes. Exemplo disso, foi o que a Argentina realizou ao criar, na inerência do pensamento “Durkheimniano”, uma lei a qual expressa que todos os cidadão são doadores, menos os que informarem ao governo.
Já dizia Thomas Hobbes, portanto, que é imperativo o Estado exercer poder para coibir os males da sociedade. Logo, cabe ao Ministério da saúde conscientizar as famílias, por intermédio da obrigatoriedade da distribuição de cartilhas aos parentes dos falecidos, seguido por uma orientação conscientizante pelos agentes de saúde, visando mostrar a importância da doação de órgãos. Ademais, cabe ao Poder Legislativo, em conjunto às Organizações Não Governamentais, criar uma comissão composta por profissionais da saúde e governantes, com o propósito de pesquisar e destinar a melhor destinação da verba pública para o incentivo e a informação sobre a doação de órgãos. Realizadas essas medidas, melhores perspectivas surgirão para o bem comum da sociedade brasileira.