Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 03/09/2018
Na série americana “Grey’s Anatomy”, uma das maiores dificuldades enfrentadas pela equipe médica é a de conseguir a permissão dos familiares dos pacientes para a realização da doação de órgãos. Como no seriado, tal obstáculo é corriqueiro em centenas de hospitais do mundo, porém, acompanhado a esse empecilho, em grande parte dos países, a precariedade no sistema de distribuição do material coletado prejudica as milhares de pessoas que se encontram nas filas de espera. Diante desses fatos, torna-se imprescindível a discussão em torno dos dilemas da doação de órgãos.
Uma das medidas para facilitar esse procedimento seria melhorar as informações acerca do recolhimento dos órgãos, para esclarecer as divagações sobre a abreviação da morte do doador e, também, assegurar o destinatário legal do material recolhido. Sabe-se que boa parte da população mundial tem medo, pois vários são os casos documentados sobre o tráfico internacional de órgãos ou até mesmo a venda ilegal dentro do próprio país. Um dos casos repercutidos no mundo, que aumentou o receio das famílias, foi o de Paulo Pavesi, em 2000, menino brasileiro que com apenas 10 anos teve seus órgãos retirados antes da morte cerebral para a venda ilegal. São casos como de Pavesi que aumentam o receio de milhares de pessoas pelo mundo e acabam levando à morte centenas de outras nas filas de espera.
O aperfeiçoamento na distribuição dos órgãos também é um fator primordial nesse dilema. Uma vez conseguida a permissão, muitos órgãos acabam tendo compatibilidade apenas com pessoas de outro estado e, sendo assim, o transporte aéreo é necessitado. O problema é que, no Brasil, por exemplo, o transporte é feito pela FAB (Força Aérea Brasileira), e segundo dados do “O Globo” de 2016, a mesma já negou mais de 160 viagens, sendo que no total, já foram perdidos mais de mil órgãos. Deste modo, por causa de negligência, vão se perdendo cada vez mais órgãos que, ao invés de salvarem vidas, são descartados em lixões, junto com a dignidade de quem espera quase uma vida inteira para uma segunda chance