Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 28/08/2018
Há 25 anos seguidos, a Espanha é campeã do mundo em doação de órgãos. Entretanto, no Brasil, mesmo o número de doadores de órgãos ter crescido aproximadamente 16% no primeiro semestre de 2017, ainda é abundante a quantidade de indivíduos na lista de espera. Nesse sentido, deve-se analisar como a falta de informação sobre a morte encefálica e a recursa da família contribuem para permanência da problemática.
Em primeiro lugar, a falta de informação sobre a morte encefálica é o principal empecilho a doação. Isso acontece pois pouco é falado sobre tal assunto na sociedade, e por ser uma morte onde o coração não deixa de bater, a família acredita que o paciente irá melhorar, por causa disso, se recursa a doar os órgãos. Infelizmente, em decorrência dessa falta de informação, no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), há aproximadamente 60 mil pessoas aguardando na fila de espera.
Observa-se também a resistência por parte da família. O país conta com o maior sistema público de doação de órgãos do mundo, no entanto, a rejeição por parte da família é um complemento a dificuldade, uma vez que 47% dos familiares se recursam a doar órgãos, diz a ABTO. O escritor Franz Kafka afirma que a solidariedade é o sentimento que expressa dignidade, contudo, com a não autorização, vemos que há um déficit de empatia ao próximo.
Logo, percebe-se que a questão da doação de órgãos deve ser revisada. O Ministério da Saúde em parceria com as mídias visuais deve criar companhas sobre a doação em forma de cartilhas e vídeos, para ser distribuídas a população, de modo a evidenciar a importância desse ato, com objetivo de crescer o número de doadores e consequentemente diminuir as filas de espera.