Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/08/2018

Historicamente, o primeiro transplante de órgão realizado no Brasil ocorreu em 1960 na cidade de São Paulo, iniciando assim, um avanço contínuo nesse ramo da medicina. Na atual conjuntura, a quantidade de doadores de órgãos no país tem aumentado, de acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), o número de doadores passou de 12,5 por milhão de pessoas em 2013 para 16,2 em 2017. No entanto, a doação de órgãos ainda enfrenta dilemas no país, como a negação familiar e infraestrutura deficitária destinada a essas cirurgias.

Primeiramente, cabe ressaltar que, apesar da média de doadores no país ter tido um crescimento nos últimos anos, ainda está distante da registrada em países modelo nesse tipo de operação. Conforme dados da OMS - Organização Mundial de Saúde -, em 2016 a Espanha alcançou a média recorde de 43,4 de doadores pmp, enquanto o Brasil tinha 15,7 pmp. Esse paradoxo nos números é resultado principalmente da negação familiar, isso ocorre pela falta de informação sobre o procedimento e também devido a família não ter conversado com a vítima em vida, dificultando a decisão.

Ademais, a má distribuição das equipes de transplantes é o principal problema estrutural. Segundo o Ministério da Saúde, atualmente, existem mais de mil equipes distribuídas em 400 unidades de transplantes, todavia, a maioria se localiza centralizada no sul e no sudeste. De acordo com Rousseau, o Estado tem como função garantir o bem-estar social de forma igualitária a todos por meio do contrato social. Nesse sentido, é notável a quebra do contrato social por parte do Estado que, negligencia a saúde pública quando não oferece as mesmas condições de receber um transplante a todos os habitantes do país.

Tendo em vista o exposto, medidas são necessárias para minimizar a problemática. A priori, a Secretária de Saúde junto à mídia devem criar campanhas com ampla circulação em jornais, televisão e redes sociais, que tenham não só o objetivo de informar sobre a importância da doação de órgãos mas também fomentar o diálogo entre a família, a fim de tornar a decisão sobre o tema mais fácil. Além disso, é dever do Estado investir na ampliação e redistribuição das unidades e profissionais para essas cirurgias, garantindo que todos os brasileiros tenham as mesmas chances de receber um transplante, independente da região em que reside. Só assim, o Brasil poderá atingir o sucesso dos países desenvolvidos em relação as doações de órgãos.