Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/08/2018

Sob ótica socióloga de Zygmunt Bauman, o individualismo é uma das principais características da pós-modernidade. Nesse sentido, tornar-se voluntariamente um impasse na consciência da interdependência que há entre o homem e seus semelhantes: a solidariedade. Diante desse contexto as dificuldades para doação de órgãos limita a construção de uma sociedade solidária, seja pela falta de informação sobre o processo, seja pelo tráfico de órgãos.

A priori, segundo Sócrates, os erros são consequência da ignorância. Logo, o desconhecimento acerca da doação de órgãos, suas etapas e a finalidade dessa ação impede o Brasil melhorar seus índices. À vista disso, existem 32 mil pessoas na lista de espera de transplante de órgãos (g1.globo.com). Dessa forma, a informação é indispensável para construção de pensamento e de uma sociedade mais empática com o próximo.

Além disso, a Constituição Federal de 1988 veda expressamente, no art. 199, a comercialização de órgãos e tecidos. Paradoxalmente, em 2003, a Polícia Federal realizou uma operação chamada de Bisturi, onde adquiriam os rins de moradores da periferia da capital pernambucana.  Diante disso, é notório que o desacerto da fiscalização das instituições responsáveis contribui para a pratica desse crime.

Portanto, medidas são necessárias para garantia da solidariedade como dever e direito de todo e qual quer cidadão. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as mídias, institucionalizar campanhas quanto a doação de órgão, evidenciando a importância do ato  para todo corpo social. Além disso, o Governo deve melhorar as estruturas, investir nos profissionais para que os transplantes aconteçam de forma segura e ética, de acordo com as regras do CFM, restringindo assim o mercado negro. Outras ações podem ser tomadas, mas como disse Oscar Wilde: “o primeiro passo é o mais importante na evolução do homem ou da nação.”