Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/08/2018
Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Tendo em vista a problemática da dificuldade de doação de órgãos no Brasil, é notável a falta de assistência do brasileiro em relação a quem precisa. Podemos citar a falta de informação e a mentalidade social (dos familiares, na maior parte das vezes) como alguns dos fatores que contribuem para essa problemática. Nesse sentido, algo deve ser feito para alterar essa situação, uma vez que milhares de indivíduos de todo o país têm a espera por órgãos saudáveis cada vez maiores, graças a tais adversidades.
Em primeira análise, a desinformação populacional mostra-se como um dos desafios à aniquilação do problema. Isso porque poucos recursos são utilizados pelo Estado para o alerta à população a respeito da importância da doação de órgãos no país, o que ocasiona uma população alienada sobre o tema. Além disso, a falta de informação não diz respeito somente ao ato da doação, mas também em quais momentos esse pode ser realizado. É o que indica a pesquisa da Unifesp, que afirma que 21% das famílias dos pacientes não compreendem o conceito de morte encefálica e, consequentemente, não sabem quando doar os órgãos. Dessa forma, a negligência do Estado e dos meios de comunicação para a informação são fatores de extrema importância para a falta de doação de órgãos.
Em segunda análise, a mentalidade social é um outro fator preponderante para a subsequência do problema. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, um fato social é repleto de exterioridade e coercitividade. Analogamente, há uma coerção social no Brasil quanto á doação de órgãos, na qual, haja vista valores éticos e religiosos, as famílias dos indivíduos não doam as partes de seus parentes. Todavia, nesse contexto os responsáveis pela solidariedade assumem uma postura egoísta, que, de acordo com o filósofo Georg Simmel, apresentam uma atitude blasé, marcada pela indiferença pelo próximo. Dessa forma, a consciência social é uma das causas para a dificuldade nessa doação.
É evidente, portanto, que há entraves para que os indivíduos doem órgãos no Brasil. Dessa maneira, é preciso que o Estado brasileiro promova divulgações por meio da televisão e internet, com profissionais especializados sobre o tema, a fim de que as pessoas sejam orientadas sobre a importância da doação de órgãos, além do conhecimento sobre os períodos que esses podem ser auxiliados. É imprescindível, também, que o mesmo órgão garanta a possibilidade para próprios doadores decidirem antes de sua morte se querem ou não doar seus órgãos, por meio da assinatura de documentos, com o objetivo de possibilitar uma menor ação da família e seus conceitos éticos nessa decisão. Dessa maneira, a solidariedade de Franz Kafka por parte dos brasileiros aumentará paulatinamente.