Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 04/09/2018
Em 1968, o primeiro transplante humano foi realizado no Brasil, o que significou esperança para inúmeros pacientes brasileiros e, indubitavelmente, avanço na medicina nacional. Ano após ano, esse procedimento vem gerando uma grande problemática: o dilema da doação de órgãos no país. Verifica-se que essa questão tem como motivo dois fatores: desinformação a respeito do tema e falta de infraestrutura.
Em primeiro plano, boa parte dos brasileiros conhece superficialmente a doação de órgãos, gerando uma baixa adesão de voluntários ou dos familiares do doador em potencial. Desde a criação da Agencia Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO),em 1990, evidencia-se que o principal desafio é fazer com que os órgãos sejam doados e, assim, todo o sistema de transplante nacional funcione. Inquestionavelmente, essa dificuldade ocorre porque não há uma efetividade na ampla disseminação de informações, seja nas escolas, seja na mídia, fazendo com que parte do corpo social torne esse importante avanço invisível, em sua realidade e, por conseguinte, não veja a necessidade de doar seus órgãos a médio ou longo prazo. Dessa maneira, fica clara a magnitude desse problema e a urgência em soluciona-lo .
Em segundo plano, a nação brasileira possui uma escassa rede hospitalar especializada no transplante de órgãos doados. Segundo o Ministério da Saúde, em 2017, o Brasil possuía 25 unidades aptas a tais ações cirúrgicas, distribuídas de forma centralizada nas regiões Sul e Sudeste do território. De fato, interpreta-se a partir desse fato que o impasse na doação está muitas vezes ligado à logística, visto que ainda há estados que não possuem esse aparato médico-hospitalar, como Acre e Sergipe, e dessa maneira , não há como realizar com facilidade o transporte , dificultando ainda mais a doação de órgãos. Logo, essa insuficiência estrutural perpetua o problema e expõe a necessidade de uma resolução.
Dado o exposto , para que o dilema da doação de órgãos no Brasil seja completamente resolvido algumas medidas são necessárias. O Governo Federal deve investir expressivamente em campanhas nacionais de fomento à doação de órgãos , nas escolas e na mídia , por meio de cartilhas e vídeos ,respectivamente. Tal ação seria realizada por meio de parcerias com a ABTO , objetivando informar todos os cidadãos sobre o tema.Ademais, o Governo Federal deve também investir no aprimoramento dos hospitais nacionais de transplante e criar hospitais similares em estados que não os possui , como Sergipe e Acre. Essa ação seria feita num sistema de parceria entre o Ministério da Saúde e as regiões assistidas , a fim de que as infraestruturas deixem de ser insuficientes,mitigando a situação.