Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/08/2018
Na série americana, ‘‘Greys’ Anatomy’’, cenas que mostram a tensão e os desafios enfrentados perante aos processos de doações são muito comuns. Contudo, fora dos televisores, mesmo apresentando ascendência nas taxas de doações, o Brasil, ainda encontra uma série de empecilhos em tal processo. Nesse contexto, cabe analisar sobre como a falta de informação e de estruturas no âmbito hospitalar influenciam na problemática em questão.
É indubitável que a desenformação por parte da família em meio a realização de transplantes esteja entre as causas do problema. Isso ocorre porque, segundo Roberto Manfro, presidente da Agência Brasileira de Transplantes de Órgãos, um dos grande entraves enfrentados é a resistência familiar perante as mortes encefálicas. Pois, mesmo que o paciente não apresente atividades cerebrais, os familiares acreditam em uma possível chance de recuperação. Como consequência, o processo de doação torna-se mais lento ou então impossível, visto que, em tal situação, os órgãos não demoram um longo período para começar a perca de oxigenação e por essa razão, muitos doadores em potencial tornam-se inviabilizados.
Vale ressaltar, também, que a falta de verbas para instaurar melhorias nas instituições hospitalares, atua como agente ativo na persistência do impasse em nossa sociedade. Isso porque, a atual situação econômica brasileira apresenta uma série de obstáculos, visto que, o Brasil enfrenta uma crise política, social e também em sua economia. Mediante a isso, em 2017, entrou em vigor uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que congela gastos nos setores da educação e saúde por 20 anos. Tal ação afeta a disponibilidade de renda destinada aos hospitais e consequentemente, influencia com que a carência em infraestrutura para atender aos casos de doações, faça-se presente.
Logo, medidas são necessárias para combater o imbróglio em questão. Nesse contexto, cabe ao Governo Federal, em conjunto com canais midiáticos, investir na criação de campanhas, que devem ser transmitidas por veículos de comunicação, com o intuito de desmistificar e informar a população não só sobre a importância da realização da doação de órgãos, mas também sobre os casos de morte encefálica. Além do mais, convém ao Poder Legislativo, por meio de reuniões na Câmara dos Deputados, desenvolver ‘‘PEC’s’’ que auxiliem na questão do transplante de órgãos, através da liberação de verbas advinda dos imposto, visando assim, atingir a resolução do problema apresentado, em nossa sociedade.