Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 05/09/2018
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o dilema da doação de órgãos no Brasil, hodiernamente, verifica-se que tal ideal iluminista é constatado na teoria, mas não na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Nesse sentido, convém analisarem-se as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
É relevante destacar que, a falta de conhecimento sobre doação de órgãos pela população, tem papel fundamental sobre a dificuldade de se conseguir órgãos doados. Tendo isso em vista, a série “Grey’s anatomy” aborda de forma clara os dois lados do processo de doação de órgãos. Por um lado há a família que acabará de perder um ente querido e não sabe como lidar com a situação, muitas vezes nunca houve uma conversa sobre a possibilidade de ser um doador de órgão entre aquele núcleo familiar, o que dificulta ainda mais a decisão dos parentes, por outro lado tem-se a visão da família do receptor do órgão, que geralmente está na fila de espera do transplante a anos, e sua vida depende da doação daquele órgão. Sendo assim, é primordial que haja não só empatia entre as famílias, como também informações sobre a importância da doação de órgãos, para que mais vidas sejam salvas.
Além disso, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 95% dos procedimentos de transplante de órgãos são financiados pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o que passa a ser um problema, visto que a saúde pública no país se encontra defasada e com poucos recursos financeiros. Ademais, o processo da doação de órgãos precisa ser rápido, pois, os órgãos não resistem muito tempo fora de um hospedeiro, portanto, deve-se haver um transporte que economize o máximo de tempo possível, visto que, muitos doadores se encontram distantes dos receptores dos órgãos. Como ótima alternativa tem-se os transportes aéreos, mas infelizmente a falta de verba pública do SUS dificulta a possibilidade de vários hospitais obterem tais meios permanentemente, pois, seria extremamente caro para o sistema de saúde público. Tal situação dificulta ainda mais o crescimento dos transplantes, por falta de condições adequadas para o mesmo.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Saúde deverá realizar parcerias com canais de televisão aberta, como a Rede Globo, para que haja a divulgação de comerciais em horários nobres, que expliquem para os cidadãos não apenas a importância da doação de órgãos para se salvar vidas, mas também que deve-se haver diálogos entre as famílias, sobre ser doador de órgãos ou não, para que não haja imprevistos na hora da doação, aumentando assim a taxa de doação de órgão no Brasil.