Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 27/09/2018
Durante a década de 60, foi realizado o primeiro transplante cardíaco do mundo, na África do Sul, abrangendo à possibilidade de doações de órgãos vitais para à saúde humana. Nesse sentido, o Brasil também investiu em procedimentos de tal magnitude, viabilizando o prologamento da vida de muitas pessoas. Porém, mesmo com essa infraestrutura, questões como a demora para a realização dos transplantes e a falta de debates são obstáculos para um avanço maior das doações de órgãos no país.
Primeiramente, vale ressaltar que a ausência de infraestrutura, de forma nacional, compromete o acréscimo no número de doadores. Por ter um território continental, regiões mais afastadas dos grandes centros ficam prejudicadas devido a carência de investimentos no interior. Geralmente, existem hospitais equipados, entretanto, não há uma forma ágil de se chegar ao local desejado por falta de aeroportos, o que compromete a agilidade e a vida de muitos cidadãos. Segundo uma notícia do site O Globo, a Força Aérea Brasileira recusou transladar órgãos potenciais em cerca de 77% dos pedidos, pois não existem aeroportos próximos ao local.
Outrossim, o diálogo com familiares e amigos é essencial para que mitos sobre as doações se extingam. Em sua maioria, por se tratar de um tema que envolve a morte, as famílias preferem não debater sobre ele, por receio do luto. Contudo, essa inexistência da conversa faz com que o tema vire tabu e mentiras, como o de desfigurar o falecido, se perpetuem. Por isso, a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, disponibiliza em seu site os mitos sobre as doações, para informar e debater sobre o tema.
Portanto, educar a sociedade para dialogar sobre o assunto é essencial. O Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve elaborar campanhas em escolas e hospitais, com palestras abertas ao público e propagandas, em rede nacional, sobre a importância do ato e do debate dentro de casa, buscando a criticidade social e a mobilização da mesma. Ademais, o Ministério dos Transportes deve estruturar aeroportos no interior, começando pelos mais necessitados, visando a agilidade nos transplantes.