Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 09/10/2018

Por volta do século XVII, na Europa, surgia o Iluminismo, cujos defensores buscavam dar voz à razão e desenvolver o conhecimento científico, que deu abertura para inovações também na área médica. Hoje, a medicina é avançada e conta com tecnologias como o transplante de órgãos. Mesmo sendo tão inovador e importante, a realidade brasileira são as enormes filas de espera para transplantes, oriundas, essencialmente, da desinformação da população.

Desde sua formulação, o transplante de órgãos é uma estratégia inteligente para salvar vidas. Consiste na retirada de um órgão enfermo e transplantação, no lugar, de um órgão saudável que não será mais utilizado pelo doador. Assim como a grande barreira dos estudos do corpo humano no Iluminismo era o preconceito da população acerca da prática, vista como anti-religiosa ou mesmo mórbida, o ato de executar transplantes a quem precisa também é visto negativamente pela população. Uma consequência disso é a triste barreira na doação de órgãos.

Ademais, nos hospitais, a família dos pacientes com óbito recente, que poderiam fazer a doação dos órgãos, dificilmente concordam com a ideia, visto o momento delicado em que se encontram somado ao estigma da doação. Isto se dá pela falta de diálogo anterior sobre a questão, que dificulta a realização do procedimento pela comunidade médica, a qual, segundo o Código Penal brasileiro, depende da autorização familiar.

Dessa forma, para resolver a problemática, é necessário que o Governo, por meio das grandes mídias, produza materiais educativos e esclarecedores sobre a importância da doação de órgãos, buscando desmistificar a prática, bem como mostrar seu lado humanitário. Por fim, deve divulgá-las em horário nobre para que haja maior alcance da população. Além disso, as famílias podem desenvolver um maior diálogo acerca do assunto, a fim de elucidar as possíveis inclinações daqueles que desejam ter os órgãos doados, possibilitando o seu destino àqueles que precisam.