Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 09/10/2018
Segundo o pensador grego Aristóteles, política é uma ciência que visa o bem estar social e a felicidade coletiva. Entretanto, na contemporaneidade, quando se observa os dilemas da doação de órgãos percebe-se que tal reflexão está distante da realidade, o que acarreta em graves consequências que precisam ser analisadas. Em virtude desse quadro caótico, surge a resistência em relação a tal contribuição, bem como a sua comercialização que é ilícita.
A priori, a falta de informação e diálogo no dia a dia familiar faz com que muitas pessoas levem um choque ao ser indagadas sobre a doação de órgãos de parentes em óbito. Com isso, ao pensar somente em sua dor muitos recusam e ignoram o fato de que aquela ação poderia salvar diversas vidas. Dessa forma, é de suma importância a exposição do desejo de cada um quando se trata de questões tão sérias e que podem modificar o destino de um próximo. Tal fato, pode ser ratificado pela frase do pastor ativista Martin Luther King “Toda hora é hora de fazer o que é certo”, que deixa claro a relevância das ações de todos independente do momento vivenciado. Sendo assim, é notório a necessidade de quebrar esse tabu e conversar mais sobre a morte.
Outrossim, a venda ilegal de órgãos abrange não só casos de falecimento, mas também com partes do organismo em que se consegue viver sem, como por exemplo, a perda de um dos rins. Desse modo, o corpo humano torna-se um comércio obscuro e extremamente perigoso, enquanto uns se salvam e saem da imensa fila de espera, outros colocam-se em risco pela necessidade de dinheiro. Tal fato, pode ser constatado, através da realidade da Índia que é o maior mercado de venda do planeta e um dos países mais desiguais, enquanto os Estados Unidos são os que mais adquirem e são potência mundial.
Nesse sentido, é evidente que a desigualdade social está presente em vários fatos do cotidiano.
Portanto, é imprescindível que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério de Desenvolvimento Social, elabore projetos e políticas públicas em âmbito nacional por meio de palestras socioeducativas nas escolas que expõem os inúmeros casos de gente que foram salvas por transplantes e mostrem a importância disso na vida de cada um, tanto de quem doa quanto de quem recebe. Também, com o apoio da mídia crie um canal de denúncias nas redes sociais e TV a respeito dos crimes cometidos em torno desse assunto e divulgue as punições para quem comete ou acoberte tal barbárie. Assim, com essas medidas motivadoras, pode-se começar a pensar em um país melhor.