Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 06/10/2018

O primeiro transplante de órgãos ocorreu após a Segunda Guerra Mundial em 1954, o que revolucionou o panorama científico da época. Esse tipo de procedimento tem avançado proporcionalmente ao advento da medicina e se tornado mais seguro, porém, ainda hoje a doação de órgãos enfrenta diversos empecilhos e não é comum a maior parte da população.Tal quadro é fruto tanto da carência de mecanismos que assegurem, ainda em vida, a opção de ser doador ou não após o óbito, quanto da ausência de fiscalização das leis que impedem o tráfico de vísceras.

A priori, é necessário inferir que não existem aparatos legais obrigatórios que retirem a responsabilidade da família de decidir o que fará com os sistemas biológicos do ente após a morte, e,direcione o compromisso para o próprio indivíduo. Quando um ser humano tem morte cerebral, múltiplos órgãos e tecidos podem ser doados para salvar outras vidas, contudo apenas os parentes do falecido podem autorizar o transplante, o que dificulta a realização desse ato solidário, já que, com o falecimento,a família, evidentemente muito abalada, acaba por optar em deixar o corpo intacto. Um mecanismo que ofereça a opção de ser doador de órgãos ,após o óbito,gera uma reflexão em potenciais doadores e diminui a dependência, que o ato tem, da família sensibilizada pela perda.

Além disso, o transplante também é dificultado pela existência do mercado negro. Este tráfico bilionário chama a atenção das pessoas com necessidades financeiras e deturpa o sentimento de solidariedade que a doação deveria ter. Muitas pessoas buscam no nesse mercado um auxílio econômico e menosprezam as milhares de pessoas que estão na fila esperando por um transplante que é seguro e rápido. Este fato tomou destaque mundialmente em 2003, quando brasileiros saíram de Recife para a África do Sul, em busca de transplantar vísceras para americanos e europeus, com um valor entre U$ 3 e 10 mil , segundo o Ministério Público Federal.

Portanto, deve-se, então, superar as barreiras que interferem na doação. Os senadores e deputados federais, membros do legislativo e responsáveis por elaborar leis nacionais, devem produzir uma norma que torne obrigatório a escolha de ser doador ou não de órgãos após a morte, por meio da realização de uma carteirinha aos 18 anos, que indique essa escolha. Esta ação tem por finalidade facilitar o reconhecimento de doadores e tirar a responsabilidade da decisão, dos parentes. Outrossim, ainda sob égide do Legislativo, deve- se aumentar a fiscalização das leis que criminalizam o tráfico de órgãos. Isto deve acontecer por meio de extensões de navegadores de internet que usem a busca de palavras chaves para identificar esse tipo de comércio. Com isto,a atuação do mercado negro diminuirá e órgãos serão doados ou transplantados como caridade e não solução econômica.