Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/10/2018

Segundo o escritor Frang Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nessa perspectiva, é imprescindível destacar o papel que esse tema possui frente à doação de órgãos no Brasil. Embora o país seja destaque no contexto mundial de doação de órgãos, infelizmente, há dilemas sustentados pela falta de diálogo familiar, bem como negligências em investimentos na infraestrutura para a facilitação das transferências.

Primeiramente, não há dúvidas de que o diálogo tem função predominante nas sociedades contemporâneas. Indubitavelmente, no tema doação de órgãos, a comunicação entre familiares pode-se tornar a dor da perda em uma nova esperança, caso essa opte ser uma doadora de órgãos. No entanto, hodiernamente, o Ministério da Saúde, evidencia que apenas 23% dos óbitos cerebrais são encaminhados pelas famílias para a transferência dos órgãos, o que, consequentemente, não reduz os índices de espera nas filas de transplantes. Dessa forma, fica clara a necessidade de reforçar as campanhas para que haja uma maior comunicação entre a população, fortalecendo a individualidade de cada cidadão em ser um futuro doador de órgãos.

Outrossim, existe um agravante: a negligência de investimentos no setor de transplantes colabora para aumentar o  tempo de espera por um órgão. Esse fato pode ser comprovado pelos laudos do Centro de Transplantes do Brasil, os quais demonstram que não possuir aeronaves, como aviões ou helicópteros  para transladar os órgãos de reposição rápida dificulta as chances do cidadão de receber o transplante. Além disso, o déficit de especialistas na captação e transporte na maioria das cidades corrobora para aumentar o tempo de espera, visto que, se houver a necessidade de escolha entre um órgão de reposição rápida e um tecido, a escolha será pelo órgão. Logo, é fundamental um olhar ativo do Poder Legislativo a essa questão.

Pode-se dizer, portanto, que ações devem ser tomadas em conjunto para minimizar os dilemas da doação de órgãos no Brasil. É imperioso, nesse sentido, que as mídias desenvolvam, por meio de campanhas e cartilhas a lucidez referente a importância de haver diálogo entre os familiares sobre o desejo de ser um futuro doador de órgãos e, de modo consequente, dar uma nova esperança a quem necessita. Somado a isso, torna-se indispensável a participação do Poder Legislativo, o qual deve elaborar novas leis que garantem o investimento no setor de transplantes no país, efetivando a compra de aeronaves para às transferências, assim como disponibilizar um maior efetivo de especialistas em captação e transporte, a fim de diminuir o tempo espera e, por conseguinte, atenuar os impasses da doação de uma nova vida no país.