Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 08/10/2018
No dia 12 de novembro de 1954, o cirurgião Joseph Edward Murray realizou o primeiro transplante de órgão humano, evidenciando o avanço da medicina e dando início aos atuais processos de doação de órgãos. Entretanto, nota-se, na contemporaneidade, que a escassez de conhecimento da população sobre a temática e a falta de infraestrutura hospitalar contribui para o agravante da problemática. Nesse viés, é importante rever a situação social, bem como seus efeitos na contemporaneidade.
Em primeiro plano, é importante destacar que para a ocorrência da doação de órgão é necessário o consentimento da família e a constatação de morte encefálica do paciente doador. Nesse sentido, através de campanhas, o Ministério de Saúde registrou em 2008 a 2014 uma redução de 41°/° das pessoas que estão na fila de espera aguardando um transplante. Dessa forma, apesar dos avanços do Governo, muitas famílias possuem a dificuldade de compreender o sentido de morte cerebral e, à crença em Deus – esperança de que o quadro se reverta – contribui para a negação da doação.
Além disso, Sistema Único de Saúde (SUS) financia mais de 90% dos transplantes, mas ainda existe uma deficiência na estrutura hospitalar. Essa realidade caracteriza-se devido à carência de profissionais nas UTIs ( Unidade de Terapia Intensiva), faltam enfermeiros de terapia intensiva, fisioterapeutas, psicólogos para dar apoio às famílias, entre outras funções. Assim, de acordo com o Enfermeiro do Hospital das clínicas Leonardo Borges, não adianta educar a população se não existir capacidade hospitalar para acompanhar a demanda de doações.
Diante disso, é necessário que ações sejam efetivadas para reverter o quadro. Dessa forma, o Estado brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, deve criar campanhas midiáticas, publicitárias e sociais nos veículos de comunicação, mostrando a importância da doação e os processos envolvidos, objetivando educar a e obter maior reconhecimento da sociedade sobre a temática. É, imprescindível, também, que ocorra nas instituições hospitalares maiores investimentos em profissionais de saúde, a fim de acompanhar os casos e direcionar mais explicações médicas sobre o transplante de órgãos. Destarte, será possível salvar vidas.