Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/10/2018

No período do Renascimento, a partir do século XIV, é possível analisar a fomentação de estudos anatômicos como os do italiano Leonardo da Vinci. No entanto, foi após a segunda Guerra Mundial que os avanços medicinais possibilitaram o primeiro transplante de órgãos no Brasil. Embora o desenvolvimento dos estudos sobre as doações de órgãos datem de séculos atrás, em pleno século XXI, esse tema continua sendo um dilema à sociedade, que por isso, sofre danos irreparáveis, quer seja pelo descaso do Estado, quer seja pela mentalidade social.

Dessa forma, é indubitável que a atuação do Estado esteja entre as causas do baixo número de doações de órgãos no Brasil. Assim, nota-se uma indiferença estatal, que ao seguir os mandamentos neoliberalistas, regidos pelo imediatismo e lucro, prima pelas pautas que geram acúmulo econômico em detrimento do bem estar social. Dessa maneira, é possível observar que, apesar de haver um aumento na quantidade de doações, não há devida importância para a temática. Portanto, esse desinteresse social, que é refletido nos números de doações,  é o resultado dessa negligência, a afeta milhares de pessoas e famílias necessitadas de um transplante.

Além disso, destaca-se a contribuição social, que ao viver de modo pragmático, dá causa a esse problema. Prova disso é a afirmação do sociólogo Zygmunt Bauman:" que o individualismo é uma das principais características e o maior conflito da pós-modernidade". Dessa forma, é possível analisar que a mentalidade social inclinada a falta de empatia, é o fator crucial que alimenta o preconceito e tabu que cercam a doação de órgãos, isso aliado à falta de diálogo da família com o ente, ainda em vida, são os principais impedimentos enfrentados, devido à mentalidade social pragmática.

Nesse sentido, de modo a promover o aumento de doações de órgãos no Brasil, alguns  pontos devem ser observados. Assim, o Estado, por intermédio das prefeituras, e com verba prevista no orçamento federal, deve promover atos de publicidades que objetivem agregar a devida importância de ser um doador, como: outdoors e propagandas nos principais meios de comunicação. Dessa forma, com mensagens claras, que informem e sensibilizem a população, haverá uma adesão expressiva no número de doadores, e o Estado e a sociedade contribuirão com a manutenção da qualidade de vida.