Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/10/2018

Lima Barreto, em sua obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, retrata a história de Policarpo, um funcionário público que acreditava que o Brasil, caso superasse alguns obstáculos, projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Nesse contexto, entraves intrínsecos a doação de órgãos configuram-se como obstáculos a serem enfrentados pelo país atualmente. Assim, torna-se evidente a carência de informações acerca da doação de órgãos, bem como a melhoria no sistema de captação destes.

O filósofo americano William James afirmou que o ser humano pode alterar vidas mudando a sua atitude mental. Nessa perspectiva, é notório que muitos médicos não comprem os seus papéis de forma efetiva no que tange ao esclarecimento da população, visto que que muitas famílias recusam a doação por falta de informações acerca do procedimento, haja vista a existência do comércio ilegal de órgãos, ou pela crença de que mesmo após constatada a morte cerebral-caso comprovado cientificamente irreversível-, o paciente poderá retornar à vida. Nesse sentido, o pensamento do filósofo americano demonstra a necessidade de atuar corretamente na elucidação dos familiares, dado que órgãos doados podem alterar a forma de vida de vários pacientes na fila de espera.

Além disso, outro entrave enfrentado na efetivação da captação de órgãos é a estrutura hospitalar. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Transporte de Órgãos (ABTO) mostraram que cerca de 2000 pessoas morrem por dia à espera de um transplante. Esse fator se deve, sobretudo, à falta de infraestrutura que alguns centros médicos apresentam para manter o doador até que seja possível realizar o procedimento. Outrossim, a falta de equipes especializadas nesse processo também contribui para a inviabilização do ato. Uma consequência direta dessa circunstância é a morte do órgão, tornando-o inapto para um possível receptor. Vê-se, portanto, que sem que ocorra investimentos em setores da saúde, a superação de  alguns obstáculos se tornará inviável.

Logo, é necessário que o Ministério da Saúde proporcione aos familiares de pacientes aptos à doação de órgãos um esclarecimento efetivo acerca do processo, mediante o fornecimento do suporte adequado-com profissionais da saúde capacitados e mecanismos que possibilitem informações do órgão até o receptor-, a fim de gerar maior confiabilidade no procedimento . Ademais, é basilar que o Governo Federal destine recursos para a instalação de unidades especializadas na captação de órgãos e, em parceria com médicos, atue promovendo a qualificação de equipes e habilitando profissionais  para realizar a remoção de órgãos. Desse modo, se tomadas tais medidas, o Brasil caminhará  para o título de nação desenvolvida.