Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 13/10/2018

O primeiro transplante de órgão ocorreu na década de 1960, nos Estados Unidos. No entanto, foi somente por volta de 1980 que os medicamentos evoluíram e, com isso, permitiram que tal procedimento acontecesse em maior escala. Hoje, apesar de todos os avanços nessa área e de todo o conhecimento a respeito dos benefícios da ação, ainda existem vários desafios e dilemas acerca da doação de órgãos no Brasil e no mundo. Nesse sentido, faz-se necessário não só analisar as razões e as consequências da questão, mas também buscar meios para mitigá-la.

A princípio, cabe destacar o desconhecimento acerca do assunto como fator determinante para o número reduzido de doações. Isso porque, levando em consideração o pensamento kantiano de que o homem é aquilo que a educação faz dele, percebe-se que o ensino sobre a doação de órgãos, que deveria ser feito por meio de campanhas públicas, é bastante falho. Por conseguinte, tem-se hoje um enorme problema relacionado a falta de autorização familiar para a cirurgia de transplante. Prova disso é o dado da ABTO (Agência Brasileira de Transplante de Órgãos) que mostra que, em 2014, cerca de 46% das famílias negaram a doação dos órgãos. Em tal situação, é muito provável que o ocorrido teria sido evitado caso as famílias recebessem maior amparo e estivessem com suas dúvidas sanadas.

Ademais, no contexto brasileiro, há também o problema da má distribuição de equipes que realizam transplantes. Isso, pois a grande maioria dos profissionais especializados e dos hospitais capacitados para exercer essa atividade está concentrada nos estados do Sul e do Sudeste. Dessa forma, mesmo aqueles indivíduos que tem intenção e o consentimento familiar para doar seus órgãos não conseguem fazê-lo. Além disso, há ainda o preceito moral relacionado à doação, uma vez que, algumas religiões -como o próprio catolicismo- alegam que o corpo não pode ser maculado após a morte. Por consequência de tudo isso, vê-se a forte ocorrência do tráfico de órgãos, que acaba sendo a última alternativa para pessoas desesperadas, circula milhões de dólares anualmente e põe vidas em risco.

Torna-se evidente, portanto, que a situação da doação de órgãos encontra-se problemática e medidas são necessárias para resolver o impasse. Primeiramente, é dever do Governo investir maciçamente na promoção de campanhas, em todas as mídias -em especial na TV e na internet-, que busquem esclarecer, mediante apresentação de dados e estatísticas, as questões acerca dos procedimentos realizados para doação e nos transplantes. Isso, com o intuito de tornar a população informada e mais ativa em relação à temática. Outrossim, deve ainda, por meio do MEC, distribuir, nas escolas, cartilhas educativas que trabalhem a desconstrução dos mitos acerca da doação de órgãos e a importância dela. Dessa forma, será possível formar cidadãos, que, no futuro, salvarão vidas.