Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 15/10/2018

O Brasil possui o maior sistema público de transplante do mundo, no entanto, a fila de espera por um órgão também é extensa. Isso evidencia que ainda há muito a ser feito para ampliar o quadro de doação de órgãos e tecidos, que é tão importante e necessário para salvar ou melhorar a vida de milhares de pessoas. Porém a recusa familiar e a concentração de recursos humanos e material são os principais desafios que impedem a resolução dessa problemática.

Inicialmente, é relevante destacar que a modelo de doação de órgãos, no Brasil, tem como base o consentimento familiar, mas, não menos importante, declarar em vida o desejo de ser doador contribui na tomada de decisão. Conforme dados do Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), em 2017, 42 % de potenciais doações foram impedidas pela parentela, e essa recusa é uma consequência da falta de informação. Infelizmente, ainda é presente na sociedade diversos tabus, há uma visão distorcida sobre a morte encefálica, comercialização de órgão, crenças religiosas, entre outros, temas que se fossem esclarecidos amplamente mudaria consideravelmente a visão sobre esse ato tão nobre.

Somado a isso, encontra-se a má distribuição do profissionais capacitados para a coleta e o transplante dos órgãos. De acordo com Lúcio Pacheco, presidente ABTO, há uma concentração de mão de obra no Sul e Sudeste e quase nenhum ou nenhum no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Apesar do aumento ocasionado pelo decreto presidencial, o qual determinando que uma aeronave esteja sempre à disposição na capital federal para realizar o transporte de órgãos doados, a distância entre hospitais aptos a realizarem o procedimento, o paciente e o doador, dificulta o processo, visto que cada órgão possui um tempo limite sem circulação sanguínea. Lamentavelmente, essa logística, em alguns casos, é fator determinante entre a vida e morte para quem aguarda o trasplante.

É evidente, portanto, que o principal obstáculo para que as filas de doação de órgãos reduza, é o investimento estatal. Diante disso, o Ministério da Educação em consonância com o Ministério da Saúde, devem investir recursos para campanhas publicitarias nos diversos meios de comunicação e locais públicos, para alcançar o maior número de pessoas das mais diversas faixas etárias, a fim de orientar sobre a importância da doação, bem como esclarecer as diversas dúvidas, e assim despertar nos brasileiros a vontade de ser doador e atenuar a negativa familiar. Como também, destinar recursos para capacitação de profissionais nos diversos estados do país e assim, possibilitar, em todo território nacional, o transplante com maior agilidade.