Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 16/10/2018

Na 2º Guerra Mundial, médicos nazistas usavam judeus como cobaias nos campos de concentração para aprimorar técnicas cirúrgicas. Esses testes eram cruéis e custou várias vidas, no entanto, foi essencial para o avanço da medicina. Uma delas, o transplante de órgãos, enfrenta até hoje problemas para ser realizada devido questões morais, religiosas, entre outras. Além disso, o trabalho dos médicos se torna mais difícil diante das condições precárias dos hospitais. Ainda assim, nos últimos dez anos, o número de transplantes realizados aumentou 63,8% no Brasil.

Em primeira análise, a doação de órgãos por conta de morte cerebral é a mais recorrente. Contudo, para que essa seja efetuada existem burocracias e regras, além da dificuldade de conseguir a permissão da família do doador. Acontece que, cerca de 47% das famílias recusam a doação, ou seja, quase metade dos órgãos são desperdiçados. Isso ocorre porque a perda de um ente não é de fácil aceitação, e decidir-se sobre doar ou não envolve muita responsabilidade. Ademais, algumas religiões - exemplo, os Testemunhas de Jeová - são totalmente contra esse procedimento, dessa maneira, famílias devotas se recusam a aceitar o transplante e os médicos são obrigados a acatar essa decisão.

Em segunda análise, tempo é algo crucial quando fale-se em transplantes, e as atitudes cabíveis devem ser tomadas o mais rápido. Como se não bastasse a corrida contra o tempo, o Brasil hoje dispõe de um número reduzido de médicos, e cirurgias desse porte requerem uma quantidade rigorosa de profissionais, não só médicos mas também enfermeiros, anestesistas, entre outros. Outro recurso escasso são os aparelhos e utensílios cirúrgicos. Esses produtos chegam cada vez em menor quantidade nos hospitais e isso torna o trabalho dos poucos profissionais ainda mais difícil, bem como põem em risco a vida do paciente.

Sob esse viés, medidas são necessárias para resolver esses impasses e aumentar a eficiência e o número de transplantes realizados. Diante disso, a mídia deve intervir com campanhas de incentivo a doação de órgãos. Elas devem apresentar histórias reais de pessoas que puderam salvar outras vidas,  para sensibilizar a população que dessa forma se torna mais suscetível a doar. Concomitantemente, o Governo junto ao Ministério da Saúde, devem direcionar verbas para o abastecimento de utensílios e aparelhos cirúrgicos que não chegam em quantidade necessária nos hospitais. Isso só será possível se houver uma fiscalização atuante no direcionamento dessas verbas, que exitem, mas em sua maioria são desviadas.