Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 17/10/2018

Francis Bacon, filósofo inglês, explicou, com a Teoria dos Ídolos, que a ignorância e noções equivocadas devem ser combatidas por representarem ameaça à racionalidade e à ciência. Nesse contexto, observa-se a relevância do debate acerca da doação de órgãos no Brasil, uma vez que os maiores desafios da questão envolvem o desconhecimento da importância da prática pela população e a falta de discussão do tema.

A priori, associa-se o ideário sociológico de Durkheim à discussão, visto que o fato social é o viver coletivo e, atualmente, esse se encontra marcado pela ignorância. Nesse contexto, atenta-se ao alarmante cenário de recusa das famílias em doar os órgãos de parentes com morte cerebral, pois, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, quase metade dos familiares não dá o consentimento. Tal dado, por sua vez, é extremamente problemático, uma vez que deve-se, sobretudo, ao fato de que muitas famílias não compreendem a real importância de doar órgãos e, consequentemente, não entendem o caráter “salvador” da prática.

Consonante a isso, insere-se a obra de Zygmunt Bauman à problemática, haja vista que a atual “modernidade líquida” é incapaz de agir em nome do bem comum, fazendo com que discussões como a doação de órgãos sejam escassas. Diante disso, segundo o Ministério da Saúde, 40% dos doadores não informam os familiares sobre o desejo de doar seus órgãos, fazendo com que muitas famílias não tenham conhecimento do fato e, infelizmente, impeçam a doação desses. Dessa forma, é nítido o papel negativo da falta de destaque dado ao tema, posto que a falta de diálogo nesses casos leva a mortes que poderiam ser evitadas só com a existência de debates sobre o problema.

De modo exposto, é imperioso resolver os desafios tangentes à doação de órgãos no Brasil. Para tal, é necessário que o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com o setor privado e os principais meios de comunicação do país, crie campanhas publicitárias televisivas com o intuito de conscientizar a população canarinha sobre a real importância da doação de órgãos para que mais pessoas tornem-se doadoras. Ademais, ainda é imperativo que o Governo Federal, com apoio dos ministérios correspondentes, aumente o número de cartazes explicativos em locais públicos, assim como o debate sobre a temática nas escolas públicas a fim de aumentar a discussão sobre a prática. Assim, enfim, a Teoria dos Ídolos de Bacon será utilizada.