Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 20/10/2018
É incontrovertível que o dilema da doação de órgãos, no Brasil, é um imbróglio hodierno. Nesse contexto, observa-se que a insensatez e a desinformação de algumas pessoas, a transigência governamental e a ineficácia dos núcleos educacionais, formam bases intrínsecas que corroboram a problemática, tendo elas que serem combatidas frontalmente.
Segundo o site “marlivieira”, 17 processos por tráfico de órgãos tramitam hoje na Justiça Federal. Dessa forma, é perceptível a imprudência de alguns indivíduos que optam por vender membros do seu corpo ao invés de realizar uma doação, visto que existem filas enormes de pacientes que estão em estado emergencial. Contudo, poucos que possuem elevado poder aquisitivo irão burlas as imensas filas de espera, causando um ônus imensurável a lei que institui a isonomia. Ademais, existem mitos que rodeiam a população inviabilizando o ato altruísta, como: alguns cadáveres realizam movimentos sutis e os parentes acreditam que eles estão vivos. Entretanto, após um morte encefálica (condição para preservação dos órgãos) é extremamente comum o corpo realizar espasmos musculares. Além do mais, há uma crença que o corpo será dilacerado para a retirada dos órgãos, fazendo com que o velório seja de caixão fechado. Porém, o defunto não sofrerá violações na sua aparência externa, viabilizando a realização cerimonial com ele exposto.
Outrossim, a lei vigente infere que o transplante de órgãos do defunto seja efetuado mediante a autorização dos familiares. Esse parágrafo da Constituição deve ser alterado para: a doação só não ocorrerá se os parentes se manifestarem negativamente, assim como ocorre na França. Também, é impreterível que o SUS disponibilize aos hospitais profissionais especializados no convencimento da família a aprovaremo transplante, porquanto atualmente são encarregadas pessoas não capacitadas para exercerem essa função, aumentando a probabilidade de insucesso. Além disso, as escolas destinam atenção quase total a formação diplomática do aluno, em detrimento de engajarem-lhes em ações sociais como a doação de órgãos, o que deve ser revisto. Analogamente, segundo Paulo Freyre, patrono da educação brasileira, “o saber sem um cunho social é a maior das futilidades”.,
Torna-se evidente, portanto, que além das medidas supracitadas, é mister a atuação dos meios de comunicação. Destarte, o Governo, por meio do Ministério das Comunicações deve desenvolver uma propaganda, que será exibida em horário nobre, que fale sobre a ilegitimidade dos mitos: dilaceramento do cadáver para o transplante e a possibilidade do defunto estar vivo por realizar espasmos musculares, com o fito de extirpar a desinformação enraizada na população, pondo um fim ao dilema da doação de órgãos.