Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 20/10/2018
O desenvolvimento cientifico, a partir da I Revolução Industrial, permitiu à medicina avanços surpreendentes que transformam e salvam vidas, como o transplante de órgãos, isso confirma a declaração do filósofo grego Aristóteles de que a vida sem ciência é uma espécie de morte. Dessa forma, embora o número de doadores tenha ascendido no Brasil, ainda há dilemas sociais que necessitam ser desmitificados e combatidos, visto que o número de indivíduos que dependem de transferência de algum órgão vital para a sua sobrevivência ainda é muito elevado.
Nesse viés, um problema enfrentado por pacientes na fila de espera é a negação da concessão dos órgãos da vítima, na maioria das vezes se caracteriza como um doador em potencial, pela família, seja por consequência da dor da perda seja por acreditar na existência de um mercado negro dentro da medicina legal. Assim sendo, a desconfiança dos cidadãos em relação aos hospitais brasileiros é devido a real existência de um mercado ilegal de compra e venda de órgãos, todavia está relacionado, principalmente, com o tráfico de pessoas , sem associação com os estabelecimentos públicos de saúde. Como produto disso, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de cada oito indivíduos com aptidão para ser doador apenas um é notificado, mostra-se com isso a seriedade de erradicar mitos em relação aos hospitais e em promover campanhas.
Ainda nesse contexto, a ausência de exaltação no que se diz respeito à dimensão do ato de ceder um órgão a um indivíduo doente ainda contribui no baixo índice de transplantes comparado a outros países. Desse modo, a atenção Governamental e midiática não são suficientes para a conscientização social, mesmo com a realização de campanhas nas redes de comunicação e com a facilidade existente no país para ser um doador, sendo obrigatório somente comunicar aos familiares, o número de concessões é muito baixo quanto à quantidade de pacientes na fila de espera. Diante disso, a união entre os setores religiosos, governamentais e sociais se faz imprescindível, porquanto se trata de um ato de amor e caridade, que pode ser realizado tanto em vida quanto no diagnóstico de morte encefálica, capaz de oferecer a um indivíduo uma nova oportunidade de viver.
Torna-se evidente, portanto que não obstante a medicina oferte o poder de uma pessoa sem vida dar a outra uma cura, atualmente, ainda há dilemas que impossibilitam o crescimento no número de transplantes. Nesse sentido, com o fito de desconstruir esses mitos e aumentar a quantidade de doadores de órgãos é indispensável que o Estado junto com a mídia e os segmentos religiosos, elabore uma campanha pública veiculada nos meios de comunicação, abordando importância desse ato e solucionando as principais dúvidas da população, para com isso promover a doação.