Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 20/10/2018
“Mas se um dia eu morrer/deixe tudo viver/doe minha visão/eu sentirei uma luz na escuridão”. Assim como na letra dos cantores Luiz Carlos e Santiago, a doação de órgãos tem papel crucial no cenário atual, devido a sua possibilidade de salvar vidas. Apesar desse fato, nota-se dificuldade em sua ocorrência graças a recusa da família por não ter total esclarecimento acerca do assunto e a precariedade de hospitais.
Em primeiro plano, percebe-se que a falta de informações por parte dos parentes, que creem na recuperação da pessoa apesar de confirmada a morte cerebral, dificulta a obtenção de órgãos. Exemplificado segundo dados da Universidade Federal de São Paulo(Unifesp),os quais 50% dos casos em território brasileiro, em que há possibilidade de doação, ocorre a recusa pela família, principalmente pela incompreensão da morte encefálica, mais precisamente, por não aceitar o diagnóstico de morte devido ao período de luto. Apesar de ser um fator compreensível, ocorre a necessidade de mudar esse paradigma, já que a vida de pessoas depende desse momento.
Em segundo plano, vê-se que a falta de estrutura para receber procedimentos de captação de órgãos, é um facilitador para reduzir o número de doações. Exemplo disso, tem-se no Rio Grande do Norte, o qual possui, conforme dados do estado, 300 pacientes com problemas renais crônicos que precisam de transplante,os quais, porém, devido a problemas na rede hospitalar, não irão conseguir receber nesse estado por não haver hospitais habilitados a adquirirem órgãos. Dessa forma, ampliando cada vez mais a fila de enfermos necessitados de transplantes e reduzindo o aproveitamento de órgãos doados, o qual por si só já é muito baixo.
Portanto, para minimizar os dilemas da doação de órgãos, medidas urgentes tornam-se necessárias. Para tal, o Governo Federal, em face do Ministério da Saúde, deve capacitar os profissionais da saúde, por meio de aulas práticas e oficinas afim de que eles saibam como abordar as famílias de forma a conseguirem passar informações claras e concisas. Somado a isso, a mídia tem de conscientizar a população sobre a importância de ser doador, por meio de seriados com temática de doação, incentivando os ouvintes a conversarem com seus entes sobre o assunto. Ademais, as prefeituras devem investir em aparelhos para hospitais visando a autorização para realizar tais procedimentos.