Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 21/10/2018
Em 1968, ocorreu o primeiro transplante de órgãos no Brasil, realizada em São Paulo. Desse modo, percebe-se que a doação é uma vertente cada vez mais acentuada na sociedade brasileira. Entretanto, a concentração das equipes de transplante no Sul e Sudeste e a negação das famílias freiam esse avanço.
Em primeiro lugar, observa-se que a concentração das unidades de transplante prejudica o crescimento das doações. Segundo o Ministério da Saúde, há mais de mil equipes de transplantes de órgãos pelo Brasil e 400 unidades para atuarem nessa área. No entanto, de acordo com o vice-presidente da ABTO, Lúcio Pacheco, a má distribuição dessas equipes é um dos desafios para a melhoria nas doações, com uma concentração nas regiões ao sul e quase nenhuma nas demais: “Em São Paulo, há 20 unidades de transplante de fígado, já em Minas Gerais, apenas três. Nos estados mais longes, não há”, afirmou Lúcio ao programa Bem Estar. Dessa forma, a população do centro-norte do país não tem um fácil acesso para as doações.
Ademais, a proibição das famílias ainda é um impasse muito constante no processo da doação de órgãos. Uma prova disso é que 47% das famílias negam o transplante, tendo em vista que essa negação está ligada a mitificação que ocorreu sobre o tema, uma vez que uma parcela dos parentes das vítimas enxergam as doações como uma desfiguração do corpo humano, porém essa hipótese não condiz com a verdade, o que faz com que a fila de espera aumente cada vez mais, encontrando-se mais de 32 mil pessoas na fila de espera para um transplante, afirma a Sociedade Brasileira de Transplantes de Órgãos. Sendo assim, é importante o conhecimento dos familiares sobre como ocorre todo o processo, para que vidas não paguem por informações irrealistas.
Urge, portanto, que medidas são necessárias para a resolução desse impasse. Cabe ao Governo Federal instituir palestras sobre como ocorre o processo, a fim de que a fila de espera decresça. Outrossim, é dever do Ministério da Saúde juntamente com a mídia, criar propagandas em todos os meios midiáticos, com o propósito de desmistificar o tema para que os familiares permitam a doação. Por conseguinte, o Ministério da Educação deve adicionar projetos relacionados a esse tópico nas escolas, procurando sensibilizar a sociedade sobre a importância dessa ação para o bem da população. Logo, todos os entraves com relação a doação de órgãos escasseará, permitindo assim um bem-estar melhor para todos.