Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 23/10/2018
Com o advento do século XX, o mundo passava por diversas transformações e inovações, e a partir desse período surgiu o primeiro transplante de organismo, espalhando-se para todos os países, inclusive ao Brasil, que aderiu essa prática em sua rede de saúde. Entretanto, ainda há muitos tabus relacionados a essa atividade, dificultando progressivamente na realização de transplantes e aumentando o número de vítimas que precisam desse meio para sobreviver. Nesse sentido, convém analisar os principais dilemas relacionados a doação de órgãos.
Em primeiro plano, pode-se apontar a recusa da família como um dos elementos motivadores para o agravamento da dificuldade em doar um elemento do corpo, uma vez que, os parentes não aceitam a perda do ente querido, e por conseguinte, negam a autorização do transplante, tanto por motivos éticos, como por motivos religiosos, tendo como consequência, um grande aumento de concessores insuficientes para atender as demandas de pacientes que esperam por essa execução. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplante, em 2007, houve 2,9 milhões de pessoas aptas a doarem seus órgãos, porém 27,4% dos familiares recusaram. É lastimável, ter a ideia de que pela falta de informação não realizada pelo Ministério da Saúde, agrave no crescimento de indivíduos que, ou “vem” a óbito, ou perdem a esperança de algum dia viver bem.
Outrossim, a falta de equilíbrio na distribuição desses centros de saúde representa também uma grande contribuição para o acréscimo de pacientes que falecem ou sofrem com a necessidade de uma implantação, pois a concentração dessas redes localizam-se na maioria das vezes em regiões do Sul, dificultando o acesso desses meios a pessoas que se encontram em maior distância desses locais. Segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado manter a integridade do cidadão, contudo, é inaceitável que com a alta taxa de tributos imposta ao brasileiro, não possamos contar com a entidade jurídica para a criação de postos com essa capacidade por todo território brasileiro, evitando a perda de mais pessoas.
Dessa maneira, a questão do dilema da doação de órgãos requer medidas mais efetivas para ser amenizado. Sob esse aspecto cabe ao governo, criar leis que aprovem a distribuição igualitária dessas redes de saúde por todo o Brasil, facilitando o acesso, e logo, diminuindo o número de vítimas, por meio de cartilhas que informem o cidadão dos benefícios que isso pode acarretar, e por fim evitar e quebrar tabus em relação a essa técnica. Espera-se com isso a diminuição desse impasse em nosso país.