Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 24/10/2018

No olhar poético de Ferreira Goulart, “é mudando a visão das pessoas que se consegue mudar a sociedade”. A partir desse pensamento, é importante compreender que, ao discutir sobre os dilemas da doação de órgãos no Brasil, deve-se considerar a falta de conhecimento a respeito do assunto por grande parte da população e a resistência das famílias as quais os doadores pertencem, como alguns dos principais fatores da perpetuação de tal problemática. Nessa lógica, pode-se afirmar que a discussão a respeito desse assunto alcance temáticas essenciais para a formação de uma sociedade melhor.

Convém ressaltar, a princípio, que a má formação socioeducacional do brasileiro seja um ponto importante ao se discutir o exposto acima. Isso é um fator determinante para que as enormes filas de espera para transplante de órgãos no país não diminua expressivamente, uma vez que as autoridades governamentais realizam campanhas informativas sobre esse assunto apenas de forma sazonal e não atinge de maneira efetiva toda a nação, além de grande parcela da população não exigir mudança nesse quadro por não necessitar dele. Isso, consoante ao pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, ocorre porque a educação básica é deficitária e pouco prepara cidadãos no que tange a importância da doação de órgãos no Brasil.

Outro ponto a ser destacado também, é a resistência encontrada nas famílias as quais os possíveis doadores pertencem. Quanto a essa questão, não é surpreendente que diante de tantos relatos de tráfico de órgãos e eutanásia para o mesmo fim, muitas vezes falsos, essa objeção seja comum no meio das famílias. Dessa forma, o pensamento de Ferreira Goulart ganha notório valor, uma vez que, ao pensar no bem causado a tantas pessoas com a doação dos órgãos de apenas um indivíduo, é possível formar uma sociedade que valorize o próximo sem distinções, com altruísmo e sociabilidade.

O desafio que se constrói, a partir da realidade exposta, é que o Ministério da Saúde promova ações para estimular o aumento de doadores de órgãos no país. Para isso, deve-se realizar campanhas através dos meios midiáticos durante todo ano, para que toda a nação seja conscientizada e bem informada sobre essa temática. Outra intervenção é a reformulação de leis, pelo poder legislativo, para que as famílias de pacientes diagnosticados com morte cerebral e que tenham declarado, previamente, como doadores de órgãos, não tenham soberania na decisão quanto ao destino de tais órgãos.