Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/10/2018
De acordo com Aristóteles, “A base da sociedade é a justiça”. Entretanto, ainda que o Brasil possua o maior sistema público de transplantes de órgãos do mundo, as dificuldades enfrentadas no processo de doação são imensas, e demonstram-se como uma questão de injustiça para os doentes que dependem do transplante para se convalescer. Nesse contexto, a doação de órgãos ainda é um desafio para o Brasil e persiste não só devido à falta de conhecimento da sociedade em relação ao tema, mas também à formação familiar, que possui papel determinante para a tomada de decisão.
A princípio, a falta de conhecimento da sociedade a respeito da doação de órgãos caracteriza-se como um complexo dificultador. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. De fato, isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre a doação de órgãos, sua visão será limitada, o que dificulta o convencimento das pessoas a se declararem doadoras e, consequentemente, reduz o número de pessoas que poderiam ser salvas com essa doação.
Além disso, cabe ressaltar que a formação familiar também configura-se como um entrave no que tange à questão da doação de órgãos no Brasil. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática da recusa da doação dos órgãos de um ente querido apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta a mudança dessa cultura, já que o problema encontra-se enraizado na estrutura familiar e estende-se por uma longa linha do tempo. Ademais, fatores como: crenças religiosas, desconhecimento e a tristeza provocada pela perda, corroboram para a permanência desse cenário.
É evidente, portanto, que os entraves existentes para a doação de órgãos no Brasil sejam solucionados. Desse modo, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Cultura deve criar ações que esclareçam a população sobre o processo de doação de órgãos, além de fomentar a reflexão acerca dos efeitos que os antepassados têm com relação à forma de pensar da sociedade atual. Tais ações devem se dar por meio de vídeos nas redes sociais sobre a responsabilidade e a importância que a família tem na formação de uma opinião coletiva e dos indivíduos enquanto seres singulares, além de relatos de experiência, dados estatísticos, visando a quebra de paradigmas socialmente alimentados e a melhora nos índices de doação de órgãos no Brasil.