Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/10/2018
Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o ideal para um país seria que a cada 1 milhão de habitantes haja, pelo menos, 20 mil doadores de órgãos. Contudo, o Brasil se encontra muito abaixo dessa média, apresentando 14 mil indivíduos que efetuem esse ato de solidariedade. Isso se dá pelo despreparado da equipe médica na abordagem às famílias e carência de organização na infraestrutura ligada às doações.
A priori, pela legislação, qualquer cidadão brasileiro era considerado um potencial doador, desde que seus órgãos apresentassem bom estado na hora do óbito. Porém, em 2001, a lei foi editada, fazendo com que a decisão seja tomada pela família da vítima. Nesse sentido, torna-se de suma importância que a abordagem médica explique o procedimento da forma mais clara e sensível possível. Entretanto, poucos hospitais disponibilizam treinamentos que orientem o comportamento que as equipes de saúde devem estabelecer durante a conversa com os familiares. Consequentemente, a chance de aceitação tende a diminuir, assim como a quantidade de transplantes.
Vale ressaltar também que após a retirada, os órgãos devem chegar rapidamente até a pessoa que receberá o transplante, já que necessitam estar em boas condições. Por exemplo, o coração resiste apenas 6 horas entre uma cirurgia e outra. Todavia, os transportes disponibilizados para as unidades de saúde ainda são poucos e, principalmente, lentos. A maioria dos hospitais brasileiros não possuem veículos como o helicóptero, que diminuiria o tempo de deslocamento. Logo, mesmo que encontrem compatibilidade no indivíduo que está na urgência, a peça humana provavelmente será destinada para aquele que estiver mais próximo.
Portanto, é indubitável que mudanças devem ser feitas para garantir um aumento no número de doações de órgãos no Brasil. Com isso, cabe ao governo, através do Ministério da Saúde, implantar projetos de treinamento comportamental para os profissionais médicos, a exemplo do SPOT, implantado no Hospital das Clínicas de São Paulo, que em anos de uso apresentou bons índices de transplantes efetuados, baseados na mudança da abordagem com as famílias. Para que assim, mais pessoas sejam beneficiadas ao serem atingidas por esse ato de solidariedade.