Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/10/2018
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico “O triste fim de Policarpo Quaresma”, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a doação de órgãos torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de conhecimento, seja pela recusa por parte da família, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o desconhecimento sobre a doação de órgãos, tanto pela família, como pelo próprio indivíduo é um grande empecilho. Isso ocorre, pois há uma falta de divulgação da mídia, em telejornais e novelas, sobre esse assunto. Dessa forma, verifica-se que muitas pessoas poderiam doar os órgãos, mas pela falta de informação acabam não praticando tal ato.
Além disso, outro aspecto a ser ressaltado é que muitas famílias apresentam certa resistência quando são abordados sobre esse assunto, devido ao fato de não possuírem plena confiança no Sistema público de saúde. Esse problema assume contornos específicos no Brasil, pois se observa um aumento no quantitativo de pessoas à espera por órgãos, de acordo com o G1, em 2017 havia 32 mil pessoas aguardando o transplante. Nesse sentido, como postula o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade Líquida”, o individualismo é uma das principais características – e o maior conflito – da pós modernidade, e, consequentemente, é essa a maior causa da persistência desse entrave.
Destarte, para que esse problema possa ser amenizado é essencial que as emissoras de televisão se proponham a discutir sobre a doação de órgãos, por meio da abordagem do tema em sua programação, a fim de levar à população um maior conhecimento acerca desse assunto. Já o Governo juntamente com o Ministério da Saúde deve investir na estrutura dos hospitais das regiões do país, e em profissionais especializados, a fim de que haja uma maior segurança por parte da família, aumentando, portanto, o número de doadores de órgãos.