Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 26/10/2018

De acordo com o Ministério da Saúde o número de doação de órgãos aumentou apenas 9.651 em 10 anos, infelizmente a quantidade anual recebida é desproporcional ao número de pacientes. Esta instabilidade ocasiona em muitos pacientes na fila de espera por anos na busca de um órgão compatível. Nesse contexto, deve-se analisar como a falta de informação e o individualismo provocam os casos de tal problemática na vida da população brasileira.

A ausência de informação sobre doação faz com que o número de doadores seja menor pelo fato de ser um tema rodeado de mitos e tabus. Segundo Roberto Manfro, presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) e médico nefrologista, o índice poderia ser mais satisfatório se a população tivesse mais acesso à informação sobre as doações de órgãos de modo que desmitificasse essas ideias. Em decorrência disso, o ato de doar órgãos é algo que se torna cada vez mais distante da realidade atual na vida da população brasileira.

Além disso, nota-se, ainda, que o individualismo também impede o crescimento das doações. Como o Doutor Oncologista Drauzio Varella mencionou: “A saúde como direito de todos e dever do Estado é uma demagogia e ainda tira a responsabilidade do cidadão sobre o próprio bem-estar: se Estado é quem cuida, não sou eu.”. Consequentemente a potencialização do individualismo na sociedade faz com que a maioria da população não se importe em praticar este simples e importante ato que salva a vida de muitas pessoas.

Torna-se evidente portanto, que a questão de doação de órgãos no Brasil precisa ser revisada. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve implantar nos meios de comunicação, propagandas para informar e incentivar a população juntamente com o Ministério da Educação que deve incluir no currículo escolar a disciplina da Ética e Cidadania no intuito de desconstruir o individualismo. Dessa forma o número de doações crescerá e deixará de ser uma problemática no país.