Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 26/10/2018

A doação de órgãos cresceu cerca de 15% no Brasil, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Entretanto, ainda há empecilhos para a realização desse ato humanitário, tendo em vista a falta de uma legislação que conceda validade a vontade na qual uma pessoa ainda em vida possui de se tornar doadora aliado a desinformação da população sobre o procedimento de transplante.

De acordo com a lei brasileira que dispõe sobre a remoção de órgãos de um falecido, cabe a família a tomada de decisão sobre a doação, desconsiderando o interesse do possível doador manifestado em vida, ainda que registrado em carta, testamento ou qualquer outro documento, não possuindo nenhum tipo de validade. Nessa conjuntura, segundo o Ministério da Saúde (MS), 47% dos familiares se recusam a doar os órgãos de um parente com morte cerebral, esse dado reflete que a diretriz que trata da doação deve ser reformulada.

Além disso, vale ressaltar que a falta de informação da população sobre o transplante de órgãos, dificulta a realização do processo, afirma o presidente da ABTO, Ferraz Neto, haja vista que muitas famílias acreditam que pelo fato de o coração do parente bater após a declaração de óbito pode significar uma possível chance de vida e má vontade no atendimento por parte da equipe médica. Outrossim, demais receios como, por exemplo, a deformação do cadáver após a retirada dos órgãos, dificultam a tomada de decisão dos familiares por não receberem instruções corretas.

Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para que se promova o crescimento do número de doadores de órgãos no país. Dessa forma, o Congresso Nacional deve criar uma lei que torne legítimo o desejo de um indivíduo ainda em vida de ser doador de órgãos, por meio de um registro nacional de doadores e a inclusão na carteira de identidade a expressão “doador de órgãos”, caso seja a vontade do cidadão, a fim de que a família e a legislação cumpram a vontade a vontade do cidadão. Ademais, o Ministério da Comunicação (MC) em parceria com empresas privadas da mídia e comunicação deve promover campanhas que forneçam as informações sobre o transplante de órgãos e sane as dúvidas da população, ganhando mais visibilidade a questão e desmistificando os mitos, com intuito de atrair mais adeptos a causa humanitária.