Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/10/2018

Egoísmo lógico, segundo Immanuel Kant, é não achar necessário submeter seu próprio juízo ao juízo alheio. Esse conceito pode se relacionar às famílias que não autorizam a realização dos transplantes por causa individual, sem pensar na vida que seria salva. Nesse contexto, o país enfrenta dificuldades relativas à doação de órgãos, seja por causa religiosa, seja por falta de comunicação.

O fato é que a religião, em muitos casos, mostra-se um obstáculo para o avanço da medicina. Com o desenvolvimento tecnológico e o aperfeiçoamento de métodos cirúrgicos, procedimentos que, antigamente, eram considerados sinônimos de morte são, hoje em dia, seguros e rotineiros. Todavia, no caso de transplantes de órgãos, devido a morte encefálica, o medo dos indivíduos não é nem o falecimento nem, em muitos casos, a estética do cadáver, mas sim a perda da alma, pois certas crenças religiosas acreditam em ressurreição, o que torna incontestável a realização de um transplante.

Além disso, consoante Oscar Wilde, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação. Nesse sentido, um dos fatores que explica o número de doadores ser insuficiente dentro das filas de espera, em detrimento do tamanho da população, é a desinformação somado à ausência de diálogos nas famílias, uma vez que o tema da morte ainda é um tabu. Sendo assim, o desconforto perante ao óbito é uma de suas próprias causas.

Em síntese, é mister que o Governo realize, por meio de parceria com a Mídia, campanhas de incentivo à doação de órgãos; com propagandas na televisão evidenciando as taxas de morte e depoimentos de deficientes, tanto os que ainda estão na lista de espera quanto os que já saíram, com o objetivo de impactar a população. Tomadas essas medidas, os desafoios enfrentados pelos pacientes diminuirão e, consequentemente, o número de óbitos também.