Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2018
De que lado você está da fila?
‘‘As doações devem atingir tão profundamente quem as recebe a ponto de causar-lhes espanto’’, a frase do filósofo e sociólogo Walter Benjamin retrata um dos grandes desafios a ser debatido na sociedade brasileira. No entanto, quando se observa os dilemas da doação de órgãos, no Brasil, verifica-se o espanto de um receptor ao receber a confirmação da doação permeia antes por várias barreiras, seja pela lei brasileira que concedeu poder de autoridade as famílias de decidir, seja a fusão da falta de informação de como funciona o processo e a confiabilidade no mesmo. Nesse sentido, encontrar alternativas para combater certos tabus é um desafio a ser enfrentado pela sociedade, profissionais e associações da saúde, mídia.
Em primeiro lugar, a falta de informação corrobora para o desconhecimento sobre a importância da doação de órgãos. As campanhas publicitárias feitas pela mídia e associações da saúde não são frequentes e, sem uma uma maior divulgação à população, o número de doações faz-se muito menor do que a real demanda. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), no primeiro semestre de 2017, 1.662 famílias autorizaram a doação de órgãos sólidos e tecidos um número baixo comparado as mais de 35 mil pessoas na fila de espera. Dessa forma, é possível perceber que, no Brasil, a falta de informação sobre como funciona o processo e a confiança rompem possíveis segunda chances de vida para até 8 pessoas.
Além disso, destaca-se o poder concedido as famílias ou responsáveis a tomada de decisão tornando-se mais uma barreira que alimenta tabus. De acordo com a ABTO, 43% dos familiares negaram a doação de seus parentes após a morte, o mesmo se aplica na doação em vida. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que todo dia é dia de avisar a família do desejo de ser doador, as pessoas precisam conversar mais, não deixar para falar quando acontece em nosso meio e não sabe-se o que fazer e acima de tudo respeitar a decisão de transformar a dor da perda em uma nova esperança para ambos os lados da fila.
É evidente, portanto, que ainda há tabus barrando a garantia do verdadeiro significado da generosidade oferecendo um fio de esperança para quem já não possui mais. Desse modo, a mídia precisa levar para a sociedade que sem doador não existe transplante, por meio de campanhas engajadas como a #DigaQueSouDoador. Logo, Secretárias da saúde e Concelho de medicina devem, capacitar profissionais, melhorar a infraestrutura do SUS hoje responsável por 95% dos transplantes realizados na país, a fim de passar confiabilidade, compreensão e solidariedade.