Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/10/2018
Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesse sentido, a doação de órgãos é um ato fundamental para a manutenção da vida dos candidatos ao transplante. Entretanto, muitas famílias recusam doar os órgãos de seus parentes. Diante disso, convém analisarmos os principais fatores que contribuem para esse impasse.
Deve-se pontuar, de início, que de acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Por outro lado, a Associação Médica Brasileira aponta que o número de doadores segue abaixo do esperado. Nesse sentido, a falta de diálogo sobre assuntos relacionados com a morte é, para a autora Ana Cláudia Quintana, um grande “tabu” na sociedade brasileira. Dessa forma, enquanto estão saudáveis, as pessoas, normalmente, não pronunciam sobre o desejo de ser doadoras. Por conseguinte, no momento em que os familiares devem autorizar a retirada dos órgãos para doação, muitos ficam inseguros e confusos sobre qual decisão tomar. Sob esse viés, eleva-se as chances de recusarem o procedimento.
Outrossim, para que os órgãos sejam cedidos é necessário que o indivíduo tenha a morte encefálica confirmada. No entanto, uma pesquisa realizada pela USP demonstra que a falta de conhecimento sobre esse quadro é um empecilho para a concordância do processo. Nesse contexto, o consentimento pode ser interpretado erroneamente como o mesmo que assassinar, decretar ou permitir a morte do parente. Sob essa perspectiva, José Saramago afirma que a ignorância é um instrumento de prejuízo social. Assim, é crucial que os paradigmas equivocados sobre a doação sejam rompidos.
Portanto, para ampliar o número de doação de órgãos é preciso que o Governo invista na conscientização sobre a relevância desse ato. Para tanto, haverá criação de campanhas que serão divulgadas nas redes sociais com vídeos, imagens informativas e conferências virtuais. Ademais, essa ação terá a disponibilidade de médicos, psicólogos e ativistas para sanar as dúvidas recorrentes. Dessa maneira, essas medidas contribuirão para a abrangência desse tema na sociedade, visando aumentar os casos de transplantados. Além disso, acarretará em um impacto positivo para todos, uma vez que ajudará a reduzir a sobrecarga do Sistema Único de Saúde.