Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2018
O dia 27 de setembro ficou nacionalmente conhecido como o Dia da Doação de Órgãos, no qual busca ressaltar a importância desse ato para salvar vidas. Entretanto, no Brasil, apesar dos avanços nos indicadores, o número de doadores ainda é insuficiente diante da longa lista de espera. Com efeito, faz-se necessário solucionar esse impasse.
Em primeiro plano, destaca-se a falta de informação como um dos principais obstáculos. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes (ABT), muitas famílias apresentam resistência à doação por fatores religiosos, éticos e até mesmo desconhecimento acerca da morte cerebral, ocasionando a estagnação dessa prática. Dessa maneira, a mídia tem importante papel social, ao expor o procedimento de maneira clara e incentivá-la.
Ademais, convém ressaltar que a burocracia existente representa um empecilho para a melhora da doação. O método tem um dos protocolos mais exigentes para o diagnóstico da morte encefálica, além da carência de equipes habilitadas, o que se torna um impasse, pois segundo a ABT, cerca de 2,3 mil pessoas morrem, por anor, à espera. Logo, otimizar os trâmites burocráticos possibilita reduzir o número de morte, pois garante a agilidade do processo.
Torna-se evidente, portanto, que apesar da evolução da doação de órgãos no Brasil, esse auxílio ainda encontra entraves para se otimizar. Portanto, cabe ao Ministério Público solicitar ao Poder Legislativo a maior liberação de verbas para especialização das equipes existentes, ao diminuir a duração do processo que antecede a cirurgia e diminuir o número de óbitos por espera. Além disso, cabe à mídia televisiva divulgar, por debates ao vivo, possíveis inverdades sobre o tema, que aflige famílias que têm dúvidas sobre o método, afim de informar quanto aos fatores existentes. Espera-se, com isso, que haja otimização do auxílio para salvar vidas.