Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/10/2018

O Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Os pacientes recebem assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante. Entretanto, o número de doações está abaixo do esperado, ocasionado, principalmente, pelo desconhecimento sobre as etapas da doação, associado a crenças religiosas, além da falta de comunicação entre os membros da família para expressarem o desejo de ser um doador.

Deve-se pontuar, de início, que para a médica Ana Claudia Quintana, escritora da obra “A morte é um dia que vale a pena viver”, os brasileiros consideram a morte um tabu. Desse modo, ela é frequentemente banida das conversas cotidianas e costuma ser ocultada das crianças, que ficam propensas a crescerem com dificuldades em aceitar possíveis perdas. Como consequência, as pessoas tendem a não refletir sobre a possibilidade de serem doaras, e quando pensam sobre o assunto, podem ter dificuldade em comunicar para a família, que nem sempre está aberta para esse tipo de diálogo.               Outrossim, segundo a Associação Médica Brasileira, quando a decisão é da família, um dos motivos comuns para não autorizar a doação de órgãos, é a crença religiosa de que um milagre poderá ocorrer e reverter a saúde do paciente, sobretudo, por não compreenderem o diagnóstico de morte encefálica. Nessa circunstância, o consentimento da doação é interpretado pelos familiares como sendo o mesmo que assassinar, decretar ou autorizar a morte do parente. Sobre essa perspectiva, Simón Bolívar aponta que a ignorância é um instrumento de prejuízo social, por isso, a equipe médica deve estar preparada para romper com os conceitos equivocados sobre a doação a fim de aumentar sua aceitação.

Portanto, para ampliar o número de doação de órgãos é preciso que o Governo invista na conscientização sobre a relevância desse ato. Para tanto, haverá criação de campanhas que serão divulgadas nas redes sociais com vídeos, imagens informativas e conferências virtuais. Ademais, essa ação terá a disponibilidade de médicos, psicólogos e ativistas para sanar as dúvidas recorrentes. Dessa maneira, essas medidas contribuirão para a abrangência desse tema na sociedade, visando aumentar os casos de transplantados. Além disso, acarretará em um impacto positivo para todos, uma vez que ajudará a reduzir a sobrecarga do Sistema Único de Saúde.