Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2018
Durante as grandes guerras mundiais, houve um significativo avanço da medicina, uma vez que, os combatentes precisavam que ser operados nos campos de batalha. Invenções científicas como a geladeira a vapor, por James Harrison, e a descoberta da Penicilina, por Alexandre Fleming, deram novos contornos aos tratamentos de saúde e tornaram possível o transplante de órgãos. Contudo, este procedimento ainda enfrenta empecilhos de outras magnitudes e particularidades, que precisam ser percebidos, analisados e superados hodiernamente.
Apesar dos 30 anos da Constituição Cidadã de 1988, na qual a saúde é constituída como um direito de todos e um dever do Estado, a fila de espera por um órgão é superior ao número de doações. Visto que houve alterações climáticas no planeta nos últimos 50 anos dada a grande emissão de gases nocivos, a maior causa de mortes humanas no mundo atualmente, segundo a OMS, é o câncer de pulmão, e que muitas vezes este importante órgão é esperdiçado por falta de preparo e orientação da equipe médica e da família daquele que faleceu, há muito a se fazer.
Haja vista que, burocraticamente, os familiares devem autorizar tanto a doação quanto a recepção da unidade funcional, e que, após a autorização, este precisa ser transportado o mais rápido possível para que a cirurgia e a recuperação seja bem sucedida, são necessárias mudanças profundas na mentalidade social de coletivismo e proteção à vida.
Desde modo, portanto, é preciso tomar medidas para alterar esta conjuntura. Em primeiro lugar, cabe ao Poder Público a implementação e a fiscalização de ações elucidativas nos hospitais, a fim de capacitar os profissionais de saúde a incentivar e planejar a doação, ressaltando, junto a família, a importância deste processo. De mesmo modo, cabe ao Poder executivo investigar e combater o tráfico ilegal por meio de um controle nacional unificado. O Estado, juntamente com as forças armadas devem facilitar e acelerar o transporte de órgãos por meios e vôos especiais. Outrossim, cabe aos cidadãos que, ainda em vida, se sensibilizem e exponha para amigos e parentes a intenção de ceder os órgãos. Desta forma, a sociedade, em coletivo, poderá preservar a existência de alguém, que como Fleming, beneficiará a evolução e continuidade da vida.