Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2018
Durante a vigência da Segunda Fase do Modernismo, a chamada ficção de 30, por meio de obras críticas, problematizou aspectos da sociedade brasileira. Tomando este ponto de princípio, como ponto de partida para fundamentar a discussão acerca dos dilemas da doação de órgãos no Brasil, igualmente vê-se a necessidade, hoje, de tecer uma análise crítica. Nesse sentido, cabe problematizar como a família dificulta a doação e discutir sobre a ausência estatal nesse processo.
Em abordagem inicial, é preciso dizer que a família do doador, por sua ignorância sobre o tema, dificulta a doação, mesmo que seja a vontade do indivíduo. Desse ângulo, o olhar crítico do segundo tempo modernista atesta a existência de uma realidade a ser problematizada, na medida em que várias pessoas deixam de receber órgãos por causa do medo, em virtude dos mitos, criados pelas famílias. Aliás, não se pode negar que ocorrem diversos casos nos quais a vontade familiar é levada em consideração em detrimento a do ente. Dessa forma, nota-se que a falta de informação, junto a informações erradas, atrapalham a doação de órgãos.
Outrossim, a ausência estatal, quanto à educação e à explicação do tema complica todo cenário, uma vez que poucos sabem desse projeto e os que sabem e os que sabem, não têm muitas referências. Nesse contexto, consolida-se a percepção de Aristóteles. Conforme o pensador, é responsabilidade do estado, por meio de política, garantir o bem-estar social. À luz dessa ideia a necessidade do governo oferecer mais meios para concluir seu propósito, já que é sua obrigação proteger e ajudar a sociedade, porém o que se observa é o oposto, visto que não há campanhas e nem se explica como ocorre o processo de doação.
Sendo assim, urgem medidas que visem reverter esse cenário. Para isso, a sociedade, principalmente as famílias, precisam entrar em consentimento a partir de diálogos e debates entre os membros, com intuito de que todas as pessoas estejam aptas a doar. De modo complementar, o Ministério da Saúde, em parceria da mídia, deve criar campanhas de doação, por meio de propagandas na TV, buscando atrair novos doadores, além de implementar, em conjunto com o Ministério da Educação, a explicação do tema nas escolas, por meio de aulas e palestras, buscando reduzir o número de dúvidas e mitos sobre o tema. Feitas essas ações, espera-se solucionar os dilemas da doação de órgãos no Brasil, de modo a afastar tal questão da lista de críticas tecidas pela ficção de 30.