Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 01/11/2018
Para Levinas, filósofo francês contemporâneo, a ideia de ética está relacionada com o conceito de alteridade que, em suma, é agir e pensar a partir do outro, em uma postura ética, reflexiva e dialógica. Entretanto, apesar do Brasil ser referência em doação de orgãos desde 2012 nota-se que muitas pessoas deixam de ser doadores por medo - morte ainda é tabu- ou pelo desconhecimento, por parte da família, do desejo do potencial doador. Diante disso, ações que gerem repercussão midiática e alertem sobre a importância da doação e da comunicação desta opção aos familiares mostram-se o melhor caminho a se seguir.
De acordo com Pedro Funari, professor da Unicamp (Universidade Estadual Paulista), o mundo ocidental transformou a morte em tabu. Depois da Segunda Guerra Mundial o mundo voltou-se demais para o presente e o hedonismo começou a predominar. A morte passou, então, a ser relegada, em consequência disso as autorizações para doações, no país, ficam cada vez mais difíceis.
Nessa conjuntura, o medo de falar sobre a morte impede que os indivíduos conversem em família sobre a possibilidade da doação. Com isso, após o diagnóstico de morte encefálica, o indivíduo é considerado doador em potencial e a decisão recai sobre a família, que, fragilizada e desconhecida do desejo do ente, acaba optando pela preservação do corpo. Contribuindo, assim, para o aumento do número de pessoas que ficam na fila sem encontrar um doador.
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para evitar que aja falta de comunicação entre doadores e familiares. É primordial que a sociedade (médicos, doadores e suas famílias) informem e sensibilizem a população. Isso pode ser feito através de palestras em escolas juntamente com ações que gerem repercussão midiática como forma de esclarecimento sobre a doação e da comunicação desta opção aos familiares, afim de mudar o cenário da doação de orgãos no Brasil e alcançar o conceito de alteridade proposto por Levinas.