Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/11/2018
De acordo com a Igreja Católica, os gêmeos Cosme e Damião eram médicos que exerciam a profissão sem receber pagamento. Eles tornaram-se padroeiros dos transplantes por terem sido os primeiros a realizar uma cirurgia desse tipo. Atualmente, a prática da doação de orgãos enfrenta diversos problemas, tanto pela recusa da família do doador, quando pela precária infraestrutura hospitalar.
Observa-se, em primeira instância, que a recusa da família dos pacientes vítimas da morte encefálica - parada de toda as funções do cérebro - em doar seus orgãos é a maior dificuldade enfrentada pelos médicos. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Orgãos (ABTO), a taxa de recusa na doação por parentes é de 43%. Isso ocorre, muitas vezes, pela incompetência médica, em que os profissionais não explicam detalhadamente como funciona a morte cerebral, e pela religiosidade, na qual a família ver a morte como algo negativo ou acredita que algum milagre possa acontecer para que o quadro de saúde do parente se reverta. Nota-se, que é de extrema importância formas de informar melhor a população.
Deve-se abordar ainda, que a infraestrutura hospitalar é um do principais motivos que dificultam a doação, pois, uma vez que o orgão está fora do corpo, ele está completamente sensível ao ambiente, caso este não seja adequado, corre o risco de contaminação ou perda. Além disso, há um tempo máximo de preservação fora do corpo, em que alguns, como o coração, suportam até 6 horas e outros, como os rins, até 48 horas. Logo, há uma grande preocupação com o transporte pois, muitas vezes não está disponível ou simplesmente não existe.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, focar na qualificação profissional dos médicos, dispondo, em hospitais e faculdades, cursos de comunicação em situações críticas, com material de roteiro técnico em todo o processo de doação (notificação, manutenção, entrevista familiar), com o objetivo de informar sobre a morte cerebral com mais clareza, criando assim, um sentimento de confiança nos familiares. Por sua vez, estes devem pesquisar sobre o tema em questão e entrar em contato com pessoas na fila de espera para transplantes, para que dessa forma, possam autorizar as doações e salvar vidas. Ademais, o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério de Transportes, deverá dispor de mais ambulâncias e na criação de uma rota rodoviária, de modo que possa acelerar a transferência dos orgãos e, assim, não haja o descartamento e sim o aproveitamento.