Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 05/11/2018
De acordo com Ministério da Saúde, menos de 2% da sociedade brasileira doa sangue regularmente. Embora a quantidade coletada anualmente seja considerada, pelo mesmo órgão, suficiente, o número de doadores é menor que o recomendável pela Organização das Nações Unidas (entre 3% e 5%). Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo e a falta de informação influenciam na problemática em questão.
De início, é valido ressaltar que o exacerbado individualismo é o principal responsável pelo escasso número de doares de sangue no pais. Isso acontece porque, na pós-modernidade, as pessoas, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman na obra “Amor Liquido”, buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e a maioria da população acaba, muitas vezes, não se importando se há pessoas que precisem de transfusão sanguínea e não contribuindo com um simples, porém grande, gesto de compaixão.
Além disso, nota-se, ainda, que a falta de informação sobre o processo de doação também é responsável pelos baixos índices de doadores. Isso acontece porque, segundo Naura Faria, chefe de atendimento ao doador do hemocentro coordenador do Estado do Rio de Janeiro, a doação de sangue no Brasil ainda é cercada de mitos. Muitas pessoas, por exemplo, acreditam — erroneamente — que, ao doarem uma vez, precisarão doar sempre. Ademais, também acreditam que poderão contrair alguma doença infecciosa durante a coleta e até engordar. Por consequência desse desconhecimento, o ato de doar sangue torna-se cada vez mais distante da realidade dos brasileiros.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da doação de sangue no Brasil precisa ser revisada. Em razão disso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio. Essas aulas, com o intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade pós-moderna, deverão disseminar o hábito da empatia. Ademais, o Ministério da Saúde deve disseminar, nos meios de comunicação, propagandas que, além de incentivar a doar sangue informem à população como, de fato, é o processo da transfusão. Dessa forma, o Brasil poderá alcançar o número recomendável pela ONU e a doação de sangue deixará de ser uma problemática no pais.