Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 13/03/2019

A perca de um ente querido por morte encefálica gera controvérsias e polêmicas diante da crença de ainda poder haver recuperação. Este fator corrobora como mais um, dentre tantos outros impedimentos para a realização da doação de órgãos no Brasil. Ademais, toda esta problemática está relacionada ao despreparo de profissionais responsáveis por conversar com as famílias em relação à importância da doação, assim como, à falta de informação diante deste importante debate.

À priori, é importante ressaltar que a abordagem dos profissionais para com os familiares do doador, constituem a primeira etapa para o sucesso do procedimento. Dessa maneira, a Espanha, por exemplo, tem trabalhado a empatia e o diálogo com sensibilidade por parte dos médicos, enfermeiros e psicólogos que são os responsáveis por conversar com os entes e explicá-los a importância da concessão para a postergação da vida de outros pacientes a espera de um transplante. Este trabalho tornou a Espanha uma referência com baixos índices de recusa familiar. Assim, para o Brasil, seguir o modelo espanhol seria uma importante atitude para enfrentar a problemática do despreparo laboral.                       Alocado ao exposto, o desconhecimento relacionado à prática da concessão de tecidos colabora para o surgimento de mitos que acarretam a rejeição por parte de algumas pessoas. Como disse a grande escritora Clarice Linspector : “A palavra é meu domínio sobre o mundo”. Dessa forma, existem cidadãos que utilizam sua “palavra” para propagar notícias falsas, prejudicando, assim, outros indivíduos. Exemplificando, no tocante à doação de órgãos, mitos como o da prioridade que é dada aos com melhores condições financeiras na fila de espera e também o que denota que dependendo da gravidade de um acidente sofrido, os médicos não se esforçam para salvar o indivíduo, acabam fazendo com que muitos deixem de doar por medo dessas farsas propagadas.

Portanto,é importante manter o debate relacionado ao procedimento de postergação da vida. Desse modo, é papel do Ministério da Saúde, preparar melhor os profissionais responsáveis por dialogar com os familiares dos que sofreram morte encefálica, tendo o exemplo supracitado da Espanha, através de palestras que ensinem a estes a trabalhar com a sensibilidade diante dos que perderam alguém, mas podem salvar outras vidas. Assim como, cabe ao mesmo Ministério trabalhar com campanhas, como propagandas, através das redes midiáticas, com a finalidade de propagar o conhecimento e tornar a doação de órgãos uma prática cidadã.