Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/03/2019
Ao longo da história, os valores que regiam as pessoas foram se transformando de acordo com a época e o espaço. Já foi considerado ético, por exemplo, médicos da Alemanha Nazista realizarem “experimentos científicos” em humanos. Contudo, felizmente, esses valores transformaram-se de acordo com o desenvolvimento das sociedades. Dessa maneira, no âmbito da doação de órgãos e seus dilemas na contemporaneidade, percebe-se uma falha moral entre as próprias sociedades atuais.
Há um paradoxo na questão da doação de órgãos no século XXI. Conceitos e princípios, como a democracia e direitos humanos, nunca foram tão disseminados e requisitados quanto nas sociedades ditas desenvolvidas. Esses valores, porém, vão de encontro à realidade, haja visto o tráfico de órgãos realizado entre os países e cujo fluxo se mostra unidirecional: dos pobres para os ricos. Basta analisar os dados disponibilizados pelo Ministério Público Federal, em que as nações do primeiro mundo são os maiores compradores de órgãos, contrariando, assim, seus valores morais característicos de “sociedade civilizada”.
Tal desvio de conduta é próprio do inconsciente humano que, apesar de ser um animal social, a individualidade prevalece sobre a coletividade. À vista disso, embora o número de transplantes realizados no Brasil ter crescido 63,8%, a fila para receber órgão é extensa e ocasiona a morte de milhares de vidas que poderiam ter sido poupadas. Isso se deve ao fato de as famílias de alguns doadores não respeitarem a decisão dos mesmos, devido aos dilemas pessoais. Dessa forma, infelizmente, a doação de órgãos ainda é um tabu na sociedade devido à falta de empatia com o próximo.
Evidencia-se, portanto, que os dilemas que recaem sobre a doação de órgãos são reflexos da falta de virtude de uma sociedade baseada na esfera individual. Então os valores morais devem ser revistos através de campanhas educativas, promovidas pelo governo federal em parceria com a grande mídia, sobre as quais informem a respeito da importância de ser um doador de órgão e seu impacto na vida daqueles que estão na fila de espera. Junto à isso, as escolas e as famílias devem priorizar o desenvolvimento da empatia entre os alunos desde a infância, por meio de atividades culturais coletivas - como debates críticos e peças teatrais de viés social. Nesse sentido, como já dizia o filósofo Kant: “o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele”.