Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 22/05/2019
A doação de órgãos é um ato de empatia, muito importante, que significa o fim de uma vida em prol do recomeço de outra. Atualmente, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Brasil ocupa papel de destaque nesse cenário, mas, infelizmente, o número de doadores ainda é abaixo do que a lista de espera demanda. Por isso, é imprescindível adotar medidas para mudar essa realidade.
Em primeiro lugar, pode-se pensar nos motivos que levam à baixa adesão da doação de órgãos pelos brasileiros. Um deles se remete à falta de informação da sociedade, que não entende que a retirada dos órgãos é feita somente após o falecimento do indivíduo, incluindo a morte encefálica nesse caso, mesmo com o perfeito funcionamento dos outros órgãos. Além disso, o tabu sobre a morte é prevalente entre as famílias, pois discutir sobre o fenecimento, no sentido literal, sem religão envolvida, é doloroso por ser uma realidade próxima, inevitável e imprevisível.
Em segundo lugar, é possível destacar os problemas consequentes dessa mentalidade. Pode-se pensar no baixo número de doadores diante da lista de espera da ABTO, que possui, em média, 35 mil pessoas. Ademais, a falta de diálogo sobre morte impede a sociedade de entender que após o óbito, os órgãos ainda podem salvar outras vidas. Isso é relevante, pois a doação de órgãos só ocorre mediante a autorização da família, logo deixá-los cientes sobre sua vontade, ou não, de doar é essencial.
Portanto, é necessário mudar esse cenário. O ideal seria que o Ministério da Saúde investisse na informação da população, através de propagandas e, também, debates em escolas e centros de saúde, que promovam o conhecimento sobre o que é e a necessidade de doar órgãos. Outrossim, é preciso investir no Sistema Único de Saúde (SUS), pois estes são os responsáveis pelo procedimento no Brasil e ainda faltam transportes, profissionais e tecnologias para melhorar a qualidade do processo. Assim, desmistificando e investindo, a doação de órgão teria um futuro promissor no Brasil, melhorando a qualidade de vida da sociedade.