Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 09/11/2021
No filme “Sete Vidas”, o personagem Ben se sente culpado por um acidente que ocasionou a morte de sete pessoas, dentre elas sua esposa, e devido a isso ele tenta se redimir ajudando sete indivíduos. Enquanto vivo, ajudou três com transplantes, mas a culpa permanece e ele comete um suicídio planejado, a fim de salvar a vida de outras pessoas. Fora das telas, muitos brasileiros necessitam de transplante para sobreviver, mas existem diversos obstáculos à doação de órgãos que impedem que aqueles recebem o que tanto almejam. Nesse sentido, cabe analisar os porquês dessa problemática, como a resistência da família em doar e as disparidades geográficas, com o fito de minimizá-los.
Nesse viés, conforme o Ministério da Saúde, a família do possível doador decide se os órgãos serão doados ou não, mesmo que aquele tenha expressado a vontade de realizar o ato ainda em vida. Entrentato, muitas daquelas optam por não doar por desconhecerem o que significa morte cerebral, por exemplo. Tal situação demonstra a necessidade de fornecer mais dados aos familiares por parte da equipe responsável pelo contato para o pedido de doação, visto que conforme o filósofo Francis Bacon, “conhecimento é em si mesmo poder”, informar aqueles de modo empático e objetivo é fucral para que tomem a decisão com todas as informações necessárias.
Ademais, nota-se as disparidades entre as regiões brasileiras em relação à doação de órgãos. Tal situação é percebida ao verificar que determinados locais do país possuem capacidade de transplantes, com infraestrutura de hospital adequada e com os funcionários necessários para o procedimento, já outros, não, sendo necessário que os pacientes destes migrem para os grandes centros, o que demanda custos para eles, mesmo que o Sistema Único de Saúde garanta o tratamento e transporte. Tendo em vista isso, percebe-se que apesar de o Brasil ser referência nesse segmento, ainda necessita de mudanças em sua infraestrutura para atender a todos os cidadãos respeitando o que é disposto no artigo 6º da Constituição Cidadã.
Portanto, torna-se necessário criar projetos que visem à redução dos desafios à doação de órgãos no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Sáude ofertar mais treinamento às equipes responsáveis pelo contato com a família do paciente, com o objetivo de garantir que aqueles estejam preparandos para lidar com situações delicadas, informando os familiares e aumentando as chances de ocorrer a doação. Outrossim, aquele deve por meio de levantamentos, buscar proporcionar a todas as regiões do país condições de realizar transplantes, disponibilizando verbas adequadas para este fim, evitando dessa forma, que os pacientes necessitam migrar para outros estados para receber o atendimento neecessário.