Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 08/05/2019
Conforme o Princípio da Maior Felicidade desenvolvido pelo filósofo utilitarista John Stuart Mill, uma ação é tida como boa quando ela impacta positivamente na vida de várias pessoas. Nesse sentido, a doação de órgãos enquadra-se nessa teoria, pois o corpo de um indivíduos pode salvar vários cidadãos da morte e do mal-estar.Todavia, no Brasil, cerca de 35000 pessoas ainda esperam por um desses conjuntos de tecidos, já que a desinformação e o individualismo, principalmente, impedem que muitas pessoas sejam doadoras.
Decerto, o Estado é um dos principais responsáveis pela existência de milhares de necessitados na fila aguardando um órgão. Isso se deve ao fato de que milhões de brasileiros não conhecem o procedimento da doação e perpetuam mitos sobre ele, como o de que muitos indivíduos acreditam que o doador sente dor durante a coleta de partes do seu corpo e o Poder Público não faz nada para desmistificar isso. Nessa lógica, a desinformação é um dilema para a salvação de muitas vidas, o que foi explorado em uma campanha publicitária do Hospital Israelita Albert Einstein, a qual afirmava que quem conhece o processo e os benefícios que esse ato de extremo altruísmo acarreta, na maioria das vezes, opta por fazê-lo, se possível.
Entretanto, a própria comunidade também é culpada por haver tantas pessoas e famílias que recusam a doação. Segundo o sociólogo polaca Zygmunt Bauman, com o avanço do capitalismo, as relações interpessoais estão cada vez mais frágeis, isto é, os indivíduos preocupam-se mais com eles mesmos do que com a coletividade. Relacionado a isso o individualismo impede que uma pessoa, mesmo já falecida, salve a vida de outras. Essa questão condiz com o fato de que muitos cidadãos afirmam querer ser velados com todos os seus órgãos ou que a religião não permite- no entanto, a maioria nem se quer buscou saber se sua Igreja condena essa atitude- demonstrando a preocupação de vários brasileiros consigo mesmo em detrimento da sociedade em geral.
Diante do exposto, a fim de que a fila de pessoas que esperam por um órgão decresça, o Ministério da Educação e da Cultura, em parceria com o da Saúde, deve oferecer palestras mensais em todos os colégios do Brasil, ministradas por médicos e enfermeiros. Essas aulas devem ser destinadas aos alunos e aos seus pais , terão como conteúdo a logística da doação, o seu processo e sua necessidade. Através desses ensinamentos haverá o fim de diversos mitos que perpetuam no país e mais pessoas terão a chance de prolongar sua vida por causa de um gesto altruísta de outras.