Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/05/2019
Segundo o Ministério da Saúde ,o Brasil conta com um dos maiores sistemas públicos para captação e transplantes de órgãos e tecido, no entanto o número de doares ainda é considerado baixo. Tal realidade é reflexo da autorização familiar, conscientização e falta de informação, fazendo com que o tempo na fila de espera seja cada vez maior, o que diminui significativamente as chances de salvar vidas e, somado a isso, há o comércio ilegal de órgãos que tornou-se um transtorno que afeta a população mundialmente, evidenciando a urgência por solução desse dilema.
No ano de 2017, segundo o Ministério da Saúde, 36 mil pessoas estavam na fila de espera por um órgão doado. Pode-se afirmar que o maior obstáculo para que as doações sejam feitas é a Lei de Transplantes, na qual fica estabelecida que só se pode remover órgãos e tecidos para transplante depois de autorização dos familiares, mesmo quando o doador deixa o consentimento por escrito. No entanto, há casos em que 47 % das famílias se recusam a doar os órgãos pela falta de informações de como a remoção dos órgãos é feita, por exemplo, e os critérios da morte cerebral, bem como desconhecem a seriedade com que o assunto é tratado pelas equipes de saúde. Diante disso, é preciso reverter esse quadro, que só é possível por meio de uma população bem esclarecida sobre o assunto. Vale dizer ainda sobre o comércio ilegal de órgãos - segundo tipo de tráfico mais lucrativo, segundo a Organização das Nações Unidas - contribui para a agravação do impasse. O crime aproveita-se da condição de vulnerabilidade social alheia para conseguir vantagens, como pessoas desfavorecidas que estão desesperadas financeiramente optando por vender seus órgãos. Além disso, essa prática estimula a corrupção em hospitais e muitas pessoas são enganadas e induzidas a acreditarem que precisam de operação cirúrgica e tem seu órgão removido.
Compreende-se, portanto, que o Governo Federal deve investir e incentivar campanhas que visem a o esclarecimento e conhecimento a cerca da doação de órgãos, seja por meio de palestras ou pela mídia. Também é imprescindível inserir tal temática nas escolas, para que desde criança, essa temática faça parte da realidade na vida das futuras populações. Por fim, deve haver a fiscalização em hospitais e postos em fronteiras que monitorarão o tráfico ilegal de órgãos para fora do país. Desse modo, com a comoção da sociedade e a prevenção do tráfico, a doação de órgãos aumentará e atenuará o problema daqueles que aguardam em filas para transplante.