Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 12/05/2019
Segundo a ABTO (Associação brasileira de transplante de órgãos), a recusa das famílias em autorizar os transplantes de órgãos e tecidos é alta, cerca de 43%. Esses dados fazem referência as barreiras logísticas e culturais que envolvem o ato de doar, dividindo então a responsabilidade entre governo e sociedade. Por conseguinte, essa situação causa o sofrimento e a morte de brasileiros todos os anos.
Doar os órgãos de entes queridos envolve uma questão de ética, pois, quando a possibilidade da doação é apresentada, os familiares precisam colocar a sua dor da perda por um momento em separo, e pensar no próximo. Entre as barreiras que fazem com que os familiares discordem com a doação, estão a desinformação acerca das regras, do protocolo e das formas de doação, visto que, mesmo que haja a conversa entre o médico e o familiar, ainda existem mitos e temores na sociedade que acabam surgindo pela carência de informação, por exemplo a doação de órgãos específicos, como coração e fígado desfigura o corpo e altera sua aparência na urna funerária. Além disso, por esse tema não ser muito comentado, acontece a falta de comunicação entre possíveis doadores e suas receptivas famílias, sobre a vontade de ser um doador, pois apesar da decisão final ser do familiar mais próximo, a vontade explicita em vida do doador com a família, influência na decisão final.
Por analogia, a responsabilização do governo, faz com que a doação muitas vezes não possa se concretizar, em virtude da falta de estrutura de coleta, transporte e transplante dos órgãos pelo fato da distribuição desigual dos centros, por conta desta distribuição, em alguns casos a doação acaba não sendo cogitada, pois a demora na capitação impediria que ela acontecesse. Assim sendo, todos os empecilhos para que a doação não ocorra que foram citados durante o desenvolvimento do texto, em resumo corroboram para que o sofrimento das pessoas que estão na fila de espera seja aumentado, e em alguns casos a espera acaba levando a morte.
Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério da Saúde, investir em campanhas de divulgação de informação sobre a doação de órgãos no Brasil, isso deve ser feito de modo que a publicidade vise derrubar os mitos e temores que levam as famílias a rejeitarem esse gesto, essas mesmas propagandas publicitárias devem ser divulgadas pelos meios de comunicação mais populares, como as redes sociais e a tevê. E afim de fazer com que esse tema se torne mais popular, as escolas devem abordar o mesmo em sala, para que os alunos possam atribuir informações e levá-las para casa, fazendo então com que os pais também adquiram conhecimento através dos filhos. Ademais, cabe ao MEC, por meio das universidades, formar profissionais especializados em logística para que então os centros de coletas sejam distribuídos de forma menos desigual.