Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 05/03/2020

No Antigo Egito, era comum o processo de mumificação, por exemplo, os egípcios começavam retirando o cérebro, logo após, retiravam os principais órgão do corpo humano, deixando-os guardadas em vasos próprios na tentativa de diminuir sua decomposição. Na contemporaneidade, a mumificação não ocorre mais, todavia a prática de retirada de órgãos persiste até os dias atuais, sendo uma prática que causa a salvação de várias pessoas, no entanto, ainda há dilemas na doação de órgãos, devido a ineficiência das políticas públicas, que não garante uma estrutura de qualidade para a coleta em todas as regiões do país. Além disso, a mentalidade retrógrada de parte da população, por conta da baixa educação sobre a valorização dos processos de doação de órgãos, faz agravar ainda mais a situação.

Em primeiro lugar, um entrave é a falta de políticas públicas de qualidade na sociedade, visto que as formas de coleta de órgãos são organizadas de forma errada, consequentemente, não fazendo a inclusão de todas as regiões do país, sendo assim, levando a morte de pessoas que estavam em busca da sua sobrevivência. Segundo os Dados Registro Brasileiro de Transplantes, somente em 2017 foram registrados em São Paulo mais de 400 coletas de Rim, contudo, em Alagoas foram registados apenas duas. Desse modo, verifica-se que a sociedade brasileira, continua com uma administração falha com relação a coleta de órgãos, não abrangendo as áreas periféricas do Brasil.

Em segundo lugar, outro desafio enfrentado para garantir a doação de órgãos é a baixa educação sobre a valorização dos processos de doação. De acordo com os dados da Associação Brasileira de Transplantes, 47% das famílias se recusam a doar órgãos de parente com morte cerebral. Dessa forma, torna-se evidente que há um problema de informação sobre a importância da doação de órgãos nas famílias, enquanto o Estado não garantir as informações necessárias de forma clara, a população continuará sofrendo com esse impasse social. Convicção essa que vai ao encontro do Educador Paulo Freire “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

Tem-se a necessidade, portanto, de que medidas cabíveis sejam postas em prática, com o intuito de acabar com os dilemas da doação de órgãos. Logo, é fundamental que o  Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Cidadania, crie novas políticas públicas para garantir a abrangência da doação de órgãos em todo o território nacional, como resultando, fica assegurado o suporte necessário para as áreas periféricas no Brasil. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, deve promover campanhas midiáticas em praças públicas, televisão, rádio, jornais, internet e redes sociais, para certificar a informação necessária de forma clara sobre a importância das doações de órgãos para as famílias, por consequência, os dilemas da doação de órgãos estarão acabados.